11 de janeiro de 2026

Arte em 2026 tem Bienal de Veneza, Duchamp, Rafael e Frida – 05/01/2026 – Plástico

Silhueta do Campanário de São Marcos e edifícios adjacentes em Veneza contra um céu dramático com nuvens escuras ao pôr do sol, refletindo na água do canal.

Beleza é fundamental, já dizia o poeta. É algo que vem à mente quando pensamos no que vem por aí nas artes visuais deste ano que começa em chamas, com guerras que estraçalham quase todos os continentes, o mundo em derretimento, o apocalipse em todos os trópicos, a descrença em tudo e todos.

O papel da arte nunca foi tão importante para encarar esse quadro de dissolução, a beleza na feiura, a sedução no caos, o brilho na lama, o inferno tornado resquício de céu. É o que podemos esperar, na mais otimista e hedonista das expectativas, para enfrentar um ano que promete ser de grandes batalhas.

LUTO O clima de pesar ronda a Bienal de Veneza, a mostra de arte mais importante do mundo, marcada para maio. Sua diretora artística, a camaronesa Koyo Kouoh, morta há um ano, não verá a materialização de suas ideias no Arsenale e nos Giardini, algo inédito na história da exposição italiana, que decidiu seguir com sua proposta, “In Minor Keys”. É uma celebração das notas menores, aquilo que pende para o mais sombrio na música, o detalhe que se destaca no caos, algo que talvez um mundo combalido peça neste momento.

SOY LOCO POR TI, AMÉRICA O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela aumenta a temperatura das exposições do Masp neste ano, uma delas uma retrospectiva do venezuelano Jesús Rafael Soto, um dos grandes mestres da arte cinética, numa programação toda dedicada à América Latina. A Venezuela, antes de ditaduras e desgraças, vale lembrar, foi um celeiro de grandes pensadores visuais e de vanguardas que ainda reverberam. No line-up, há ainda a peruana Sandra Gamarra Heshiki, a colombiana Carolina Caycedo e o mexicano Damián Ortega.

CASA NOVA No front dos museus, a expansão do nova-iorquino New Museum, prevista para o ano passado e adiada para este ano, obra do holandês Rem Koolhaas no sul de Manhattan, deve enfim ser inaugurada, fazendo par com a estrutura original, a pilha de caixas translúcidas da firma japonesa Sanaa.

Também nos Estados Unidos, o Los Angeles County Museum of Art abre a sua nova ala, um projeto do suíço Peter Zumthor.

Do outro lado do mundo, o polêmico Guggenheim de Abu Dhabi, obra de Frank Gehry, deve enfim abrir suas portas depois de anos de atraso, denúncias de abusos trabalhistas e no rastro da morte de seu arquiteto. É o último megamuseu da faraônica ilha de Saadiyat.

GÊNIOS EM REVISTA O ano que começa também promete retrospectivas dos maiores nomes da arte. Em Nova York, Marcel Duchamp tem sua primeira grande mostra no MoMA, uma das maiores já dedicadas ao francês em cinco décadas. Já o Metropolitan repassa a obra de Rafael, e a Morgan Library recebe peças Caravaggio que quase nunca saem da Villa Borghese, em Roma.

Em Londres, a National Gallery se debruça sobre Jan van Eyck, com uma constelação de telas que orbitam sua obra-prima, “O Casal Arnolfini”. O mesmo museu ainda destaca no ano a obra de Lucian Freud, e a Serpentine recebe novas pinturas de David Hockney.

Na Tate Modern, o ano é das mulheres. O museu orquestra uma retrospectiva de Tracey Emin, artista central do movimento Young British Artists que chacoalhou as estruturas da cena britânica, partindo de sua obra-prima “My Bed”, a instalação da artista com sua própria cama no centro, cenário de sexo e desilusões amorosas. Depois, vem uma retrospectiva de Frida Kahlo, no auge da surrealista mexicana no mercado.

Em Paris, o Musée d’Orsay mergulha na obra de Pierre-Auguste Renoir pelo prisma de suas visões do amor.



Fonte ==> Folha SP

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