O tom sombrio das obras faz delas quase um manifesto anti-Carnaval. Enquanto São Paulo ferve nestes dias antes da folia, a galeria Gomide&Co, na avenida Paulista, abre uma de suas mostras mais aguardadas do ano, aquela que seu fundador, Thiago Gomide, diz ser a exposição mais ambiciosa que já fez. Exageros à parte, é de fato uma joia que estará diante dos olhos do público já nesta semana.
Está reunida ali uma seleção expressiva das chamadas pinturas negras do artista Antonio Dias, que passou boa parte da vida radicado em Milão, onde essas obras foram criadas ainda na ressaca dos protestos de 1968 em Paris e do AI-5 da ditadura militar brasileira, que o levou ao exílio.
No total, são nove pinturas em exposição, parte de um conjunto de 24 agora nas mãos da galeria paulistana vindas de um mesmo acervo em Milão, do galerista Gió Marconi, filho de Giorgio Marconi, que representava o brasileiro nas décadas de 1960 e 1970 na cidade italiana.
São trabalhos que ficaram nessa mesma coleção particular até agora, quando começaram a ser vendidos primeiro em Londres, numa mostra paralela à última edição da feira Frieze, e agora em São Paulo. De acordo com a galeria, 15 dessas pinturas já foram vendidas.
Os valores das obras na mostra vão de € 95 mil, ou R$ 590 mil, a € 1,1 milhão, ou R$ 6,8 milhões. É o preço de levar para casa um pedaço importante da história da arte do país há anos guardada no exterior.
Em seu auge, a galeria de Giorgio Marconi tinha entre seu corpo de críticos, que escreviam para a casa, ninguém menos que Giulio Carlo Argan e Umberto Eco. Entre os artistas apresentados ali, todos os grandes do século 20 —Antonio Dias, no caso, estava na companhia de gente como Alberto Burri, Alexander Calder, Antoni Tàpies, Francis Picabia, Joan Miró, Joseph Beuys, Lucio Fontana, Sonia Delaunay e Willem De Kooning, entre outros.
Fonte ==> Folha SP


