29 de março de 2026

Flávio Bolsonaro pede ‘valores americanos’ no Brasil e diz que pai foi vítima da ‘tirania da covid’

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece ter cansado do figurino de “moderado” que tenta envergar em Brasília para viabilizar seus planos presidenciais. Em um evento da extrema direira no Texas, nos Estados Unidos, o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL) deixou cair a máscara e revelou um radicalismo que, em muitos aspectos, consegue superar a truculência do pai. Com um discurso carregado de subserviência e um negacionismo que ignora o luto de 700 mil famílias da covid, o pré-candidato à Presidência da República escancarou sua face mais perigosa.

Diante de uma plateia norte-americana, o senador não se limitou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe; ele ofereceu as riquezas estratégicas do solo brasileiro como moeda de troca política e pediu intervenção externa na soberania nacional.

Submissão e oferta das riquezas nacionais

Em um nítido sinal de submissão a Donald Trump, Flávio Bolsonaro utilizou o microfone para pedir que o “mundo livre” e a administração norte-americana apliquem “pressão diplomática” sobre as instituições brasileiras. O senador defendeu que as eleições de 2026 no Brasil sigam “valores de origem americana”, em uma fala que soa como um convite à interferência estrangeira no processo democrático brasileiro.

Em 2025, essa interferência ocorreu nas eleições ocorridas em Honduras e na Argentina. No primeiro caso, Trump usou as redes sociais para apoiar o candidato de direita Nasry “Tito” Asfura e intimidar os concorrentes. Já no caso do país vizinho ao Brasil, houve grande apoio financeiro para o governo de Javier Milei.

Para seduzir os falcões de Washington, Flávio colocou o patrimônio mineral do Brasil no balcão de negócios. Destacou o peso econômico do país e, sobretudo, as reservas de minerais críticos e terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica e militar global, como um ativo que o Brasil estaria disposto a alinhar aos interesses dos EUA sob uma nova gestão bolsonarista.

O retorno do negacionismo: “Tirania da Covid”

Quase cinco anos após o início da crise sanitária que devastou o mundo, Flávio Bolsonaro provou que o clã não aprendeu nada com a história. Enquanto o pai, no auge da crise, imitava pessoas com falta de ar e debochava da gravidade da doença, o filho agora tenta reescrever o passado.

Flávio afirmou, sem qualquer pudor, que Jair Bolsonaro foi um combatente contra a “tirania da covid”. A declaração é um acinte às vítimas da pandemia. Chamar de “tirania” as medidas de proteção à vida e os protocolos científicos é o ápice de um negacionismo que insiste em ignorar que a maioria das 700 mil mortes no Brasil ocorreu sob a gestão negligente de seu genitor.

Lawfare e teorias da conspiração

Mantendo a cartilha do extremismo, o senador classificou a prisão de seu pai como fruto de lawfare e atacou a administração de Joe Biden, acusando-a, sem qualquer prova, de ter interferido nas eleições de 2022 para favorecer o atual presidente Lula. Flávio chegou ao ponto de reclamar da revogação do visto de um assessor de Trump, alegando que o Brasil estaria “expulsando diplomatas”, omitindo que o tal assessor tentou desviar a finalidade de sua visita para realizar uma inspeção política na prisão de Bolsonaro e para se reunir secretamente com o ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques.

Ao pedir “pressão externa” e oferecer o subsolo brasileiro aos estrangeiros, Flávio Bolsonaro mostra que sua visão de patriotismo termina onde começa o seu projeto de poder. Se o pai era o rosto da agitação, o filho se revela como o arquiteto de uma entrega nacional ainda mais profunda, embalada em um radicalismo que desafia a realidade e a soberania do Brasil.

Violação de recomendações do STF

A participação de Flávio Bolsonaro ocorreu no principal encontro da extrema direita dos Estados Unidos, a Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC, na sigla em inglês) e ao lado dele esteve presente seu irmão, Eduardo. Durante o encontro, Eduardo afirmou que fazia uma gravação para mostrar ao pai, o que desafia as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Jair Bolsonaro está impedido de acessar redes sociais, telefones celulares ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. As informações são do Mídia Ninja.



Fonte ==> Brasil de Fato

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