O vereador de Goiânia Fabrício Rosa (PT-GO) e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Leandro de Almeida Costa foram presos na manhã desta sexta-feira (17) em Santa Helena de Goiás, a cerca de 200 km da capital do estado. Os dois foram soltos na tarde desta sexta após prestarem depoimento na unidade e seguem para Rio Verde para realizar exame de corpo de delito.
No momento da prisão, o movimento realizava uma manifestação em memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, onde 21 trabalhadores rurais foram brutalmente assassinados por lutarem pelo direito à terra em 1996. Segundo informações do MST, os dois foram levados da rodovia GO-210, em proximidade com o Acampamento Leonir Orback, à Delegacia de Polícia Civil de Santa Helena de Goiás.
Para o advogado Cleuton de Freitas da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares em Goiás (Renap/Go), que acompanha o caso, as prisões foram políticas. “Calcadas numa perspectiva do abuso de autoridade, mas que, acima de tudo, decorre da morosidade da reforma agrária. Porque se o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] já tivesse tomado uma atitude para obter a posse da terra, não haveria uma situação como essa. Eu não tenho a menor dúvida disso, há uma cadeia de responsabilidades políticas e depois temos que pensar sobre isso”.
Em nota, o vereador Fabrício Rosa anunciou que a detenção “com uso de violência e de forma arbitrária” foi motivada, segundo os policiais, pelo crime de desacato. “Como é possível ver no vídeo do momento da prisão, com uso de força e violência por parte dos policiais, não houve qualquer situação que levantasse a suspeita de desacato”, explica a nota.

Procurada pelo Brasil de Fato DF a Polícia Militar do Estado de Goiás informou que foi acionada para atender a uma ocorrência de bloqueio total da via no município e que, no local, manifestantes obstruíam completamente a rodovia, impedindo o trânsito de pessoas e veículos. Segundo a corporação, foram adotados protocolos de gerenciamento de crise, com isolamento da área e tentativa de negociação para a liberação da pista, sendo a intervenção considerada “estritamente necessária” para restabelecer a ordem pública.
A PM afirma ainda que o vereador teria descumprido ordens legais, tentado romper o isolamento e proferido ofensas contra os agentes, motivo pelo qual foi preso em flagrante por desobediência e desacato. De acordo com a nota, houve resistência à prisão, o que exigiu o uso “proporcional da força”.
O MST luta desde 2016 pela adjudicação das terras da Usina Santa Helena, de propriedade do Grupo Naoum, que é considerado um dos dez maiores devedores em impostos federais do país, com débitos que ultrapassam 1 bilhão de reais. A manifestação, realizada na porta na manhã desta sexta faz parte das Jornadas de Abril que são promovidas pelo movimento em todo o país em memória aos mártires de Eldorado dos Carajás (PA).
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Fonte ==> Brasil de Fato


