Em Pequim, Trump deve manter ‘trégua tarifária’ e Xi Jinping vai dar as cartas, diz analista internacional

Os efeitos econômicos globais do impasse no Estreito de Ormuz obrigam que os Estados Unidos mantenham a “trégua tarifária” nas relações comerciais com outros países. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, nesta quarta-feira (13), reforça essa tendência. A reunião entre os dois países é a primeira em 10 anos.

A avaliação é do analista internacional Henrique Gomes, doutorando em ciência política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, defende a superioridade do líder chinês diante de Trump.

“Xi Jinping é o maior estadista vivo. E não estou fazendo nenhum juízo de valor da pessoa dele ou da direção que a China esta tomando no cenário global. É fato. A capacidade de articulação política interna e externa que ele tem é algo invejável. Nesse encontro cara a cara, quem está com vantagem é ele, com as cartas a seu favor, em cenário favorável e ambiente confortável para negociar com Trump. A China vai se fazer valer nas negociações”, analisa.

Henrique Gomes aponta que uma das questões centrais do encontro bilateral é a relação dos dois países com Taiwan. O analista explica que, em 1949, após a Revolução Comunista e a Guerra Civil, o antigo governo capitalista chinês foi transferido para onde hoje é Taiwan, que passou a reivindicar ser a “verdadeira China”. Contudo, Pequim identifica Taiwan apenas como província rebelde e reforça o conceito de que só há uma China. “Eles [Taiwan] não têm soberania, logo todas as questões envolvendo Taiwan devem ser tratadas com Pequim. O governo dos EUA tem vendido armas para Taiwan. E a China não está gostando nada disso. A postura dos EUA tem sido um pouco ambivalente, porque apoia Taiwan, mas negocia com a China. A gente pode esperar que Taiwan possa ser usada como moeda de troca nas negociações”, destaca.

Com relação às terras raras, Gomes considera que a expectativa é que os mandatários atinjam acordos que sejam mutuamente benéficos. “A China impor mais restrições aos minerais críticos iria na contramão do acordo referente ao tarifaço”, pondera.

Outro tema espinhoso será a guerra dos EUA contra o Irã e uma possível atuação da China para mediar o fim do conflito. Para Gomes, isso é bastante improvável. Primeiro, porque Trump se contradiz a todo o momento. Segundo, porque Xi Jinping tem um perfil bastante pragmático e dificilmente se colocará como “menino de recado dos EUA”.

“O acordo de paz não foi fechado até agora por causa da questão da energia nuclear do Irã, que não aceita abrir mão desses recursos. Se Xi Jinping vai acatar esses termos, acredito que não. A China não tem nada a obter vantagem com essa submissão do Irã aos termos dos EUA. Existe até uma possibilidade de colocar o Irã junto com a Ucrânia, fazer um acordo múltiplo. Mas não é nada muito certo”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.



Fonte ==> Brasil de Fato

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *