Candidato presidencial francês denuncia que o país retém peças de reposição para termelétrica de Cuba

O líder do movimento França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, denunciou publicamente a retenção, na França, de peças de reposição destinadas ao reparo da principal termelétrica de Cuba. Segundo ele, a retenção das peças se deve ao “medo de Trump” e ao clima de pressão associado à política dos Estados Unidos em relação a Cuba.

O candidato presidencial francês afirma que a empresa de navegação francesa CMA CGM — uma das maiores do mundo — se recusa a entregar os equipamentos, que já se encontram em contêineres em trânsito e são fundamentais para o funcionamento da principal termelétrica cubana. Esses equipamentos teriam sido prometidos pelo governo francês para contribuir com a redução da complexa situação energética da ilha.

“Cuba, sitiada, martirizada e agora diretamente ameaçada com uma intervenção militar dos Estados Unidos, não recebe nenhuma ajuda francesa. O medo de Trump é evidente”, afirmou por meio das redes sociais, ao mesmo tempo em que declarou que “as peças de reposição da central elétrica francesa que já estão no país se encontram em contêineres que a empresa CMA CGM de Saadé agora se recusa a entregar, apesar de a França ter feito uma promessa”.

Além disso, o dirigente exigiu que as autoridades francesas intervenham para garantir o cumprimento do compromisso e a liberação dos contêineres retidos.

As ameaças de sanções extraterritoriais

A denúncia ocorre em um contexto de profunda crise do sistema eletroenergético cubano e de endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra a ilha.

No final de janeiro, a Casa Branca emitiu uma ordem executiva que ameaça sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo a Cuba”, com o objetivo de intensificar o estrangulamento energético.

Posteriormente, no início de maio, Washington ampliou o alcance extraterritorial do bloqueio, ameaçando sancionar qualquer pessoa, empresa ou entidade estrangeira que mantenha vínculos comerciais com o Estado cubano, especialmente em setores estratégicos como energia, defesa, segurança e finanças.

Diante da situação, as companhias marítimas internacionais Hapag-Lloyd (alemã) e CMA CGM (francesa) anunciaram que congelavam temporariamente suas operações com Cuba, diante do risco de sanções por parte da Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos), assim como de possíveis multas e da perda de acesso ao sistema financeiro estadunidense.

Segundo estimativas, essas duas empresas concentram até 60% do tráfego de contêineres que entram e saem de Cuba. Sua eventual saída do mercado cubano deixaria portos-chave como os de Mariel e Havana operando com uma fração mínima de sua capacidade, com possíveis efeitos na disponibilidade de bens de consumo e de insumos produtivos na ilha.

Central Termelétrica Antonio Guiteras

As peças de reposição que foram retidas são destinadas à Central Termelétrica (CTE) Antonio Guiteras, a principal usina termelétrica do país, localizada na região oeste da ilha.

Em condições ideais, a Antonio Guiteras pode fornecer energia a cerca de 240 mil lares cubanos. No entanto, atualmente opera abaixo de sua capacidade devido às restrições de acesso a peças, à falta de petróleo e combustíveis impostas pelo bloqueio, além de limitações financeiras enfrentadas pelo país.

Essas dificuldades têm contribuído para falhas recorrentes que provocam quedas generalizadas do Sistema Elétrico Nacional. Durante o mês de maio, foram registradas três avarias na planta, o que agrava os já prolongados apagões no país, enquanto, até o momento neste ano, a usina sofreu seis falhas.



Fonte ==> Brasil de Fato

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