O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil não integra o grupo de países considerados amigáveis aos interesses estadunidenses no hemisfério ocidental. A declaração foi feita durante audiência no Senado dos EUA e ocorre após o anúncio de novas medidas comerciais contra produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos EUA.
Ao analisar o cenário político da América Latina, Rubio disse que a região vive um momento de maior alinhamento com os Estados Unidos. Entre as exceções, citou Nicarágua, Cuba, Venezuela, Colômbia e Brasil.
Segundo o secretário, o Brasil estaria em uma situação particular por atravessar um ciclo eleitoral. Ainda assim, ele incluiu o país na lista de governos que, em sua avaliação, não fazem parte do bloco de aliados mais próximos.
Nesta segunda (1º), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil.
Rubio também defendeu que os Estados Unidos aproveitem o atual contexto político regional para ampliar sua influência. Segundo ele, após duas décadas de “negligência”, outras potências, especialmente a China, avançaram sobre espaços estratégicos na América Latina.
Lula reage e critica secretário dos EUA
Também nesta terça-feira (2), em discurso na cidade Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu às declarações e voltou a criticar Marco Rubio. Durante a inauguração de uma nova sede do Instituto Federal Goiano (UFG), o presidente brasileiro afirmou que o secretário de Estado é “anti-América Latina” e mantém posições hostis em relação a diversos países da região.
“Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”, declarou Lula.
O presidente também afirmou já ter dito diretamente a Donald Trump que considera que o republicano não tem simpatia pelo Brasil. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, relatou.
Lula também responsabilizou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela nova investida dos EUA. “São uns vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse.
O presidente afirmou ainda que os pedidos por novas intervenções prejudicam não a ele, mas ao “povo brasileiro”. “Vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, afirmou.
Fonte ==> Brasil de Fato


