A ferramenta do Observatório da Transição Energética possibilita visualizar, em um mapa interativo, os impactos de diversos empreendimentos e projetos em territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e áreas protegidas.
O mecanismo surgiu de uma parceria entre Repórter Brasil, Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) e reúne dados sobre mineração de minerais críticos, usinas de energias renováveis e linhas de transmissão.
Um dos desenvolvedores do Observatório, Rarisson Sampaio, é assessor político do Inesc com ênfase na pauta de transição energética e socioambiental. Em conversa com o programa Conversa Bem Viver, da Radio Brasil de Fato, ele explicou como o instrumento contribui para que o complexo debate da transição energética vá além do mercado de carbono.
Segundo Sampaio, o mapa mostra que, para além desta tentativa de solucionar as questões por meio de negociações financeiras, “existe território, existem comunidades, existem áreas sensíveis protegidas e que isso não pode ser afastado do debate da transição energética”.
Uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) obriga que populações indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais sejam consultadas e possam influenciar decisões que afetem seus modos de vida, territórios e culturas. O procedimento é chamado de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) e muitas vezes é negligenciado pelas empresas de energias renováveis ou de exploração de minério, como identificou o assessor político.
“Muitas comunidades e territórios somente tomam conhecimento do projeto quando já passaram diversas fases de autorizações e licenças e o projeto já está em curso e caminhando. Então, a ferramenta traz uma perspectiva de não apenas verificar projetos existentes, mas também projetos que estão planejados para acontecer em determinadas áreas.”
As entidades organizadoras da ferramenta vêm desenvolvendo atividades direcionadas a jornalistas, pesquisadores e comunidades potencialmente afetadas por empreendimentos com o objetivo de difundir as formas de manuseio do mapa.
Sampaio destaca que ainda há o que melhorar. “Um dos obstáculos é que dependemos de bases de dados públicas. Hoje, as bases de dados, principalmente para comunidades quilombolas e povos indígenas, são pautadas por processos oficiais, ou seja, a comunidade precisa estar titulada ou certificada ou demarcada.” Segundo o especialista, muitas empresas “se negam a fazer consulta porque o território não foi demarcado ainda, porque a comunidade não foi titulada”.
O especialista aponta que, ao permitir o acesso à informação, a ferramenta tem condições de fortalecer o trabalho em rede na defesa de povos originários e do meio ambiente. “Temos algumas experiências muito frutíferas no campo da transição energética. Toda essa articulação foi fruto de uma rede que não envolve um único fato, mas todos esses grupos articulados, trabalhando em parceria.”
A plataforma tem acesso livre pelo site da Repórter Brasil: https://observatorio.reporterbrasil.org.br/
Conversa Bem Viver

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Fonte ==> Brasil de Fato


