11 de junho de 2026

Quem foi Benedito Calixto, que dá nome à praça em SP – 11/06/2026 – Andanças na metrópole

Quadro de Benedito Calixto

O pintor Benedito Calixto (1853-1927), nome de uma famosa praça em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, foi um artista prolífico e magistral. Seus quadros históricos e de paisagens estão entre os mais belos e bem compostos que se produziram no país entre o final do século 19 e o início do 20. Um dos cenários que explorou foi justamente a cidade, por encomenda do Museu Paulista ou Museu do Ipiranga, então dirigido por Afonso Taunay, com quem manteve correspondência.

Acadêmico, Calixto fez uma série de quadros sobre a capital, vários deles baseados em fotografias de Militão Augusto de Azevedo. Suas telas buscavam perpetuar os vestígios da São Paulo colonial, com construções baixas, longas perspectivas e torres de igrejas, mas também pintou vistas panorâmicas esplendorosas, como a da “Inundação da Várzea do Carmo”, de 1892, obra que lhe deu notoriedade. Nela, Calixto mostra sua potência figurativa e exibe com riqueza de detalhes uma paisagem frequente naquela época, a das cheias no rio Tamanduateí.

Nascido no município de Itanhaém, Calixto começou como autodidata e seu primeiro ofício foi o de marceneiro. Posteriormente, quando já tinha ganhado fama, estudou na Académie Julian, em Paris, bancado pela Associação Comercial de Santos, onde realizou a parte mais importante de sua obra.

Para pintar seus quadros pesquisava como um historiador. Consultava desenhos, fotografias, cartografias, inventários e documentos encontrados em arquivos públicos. Fazia uma arte realista e suas representações de cenas do passado são impecáveis. Ele é um dos responsáveis pela criação da chamada iconografia paulista. Foi membro do Ihgsp (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo).

Observando a cidade, onde morou entre 1890 e 1893, fez mais de uma dezena de quadros. Na lista se incluem imagens de lugares emblemáticos como a da “Ladeira do Colégio”, de 1910, baseada em uma foto de Militão de 1862, ou a da “Rua da Constituição”, atual Florêncio de Abreu. Também retratou a “Rua da Quitanda” e a “Rua da Cruz Preta”, hoje Quintino Bocaiúva. Prédios históricos, como o do “Paço Municipal, Fórum e Cadeia de São Paulo” e a primeira estação da Luz foram outros alvos de seu olhar.

Quando morou na cidade fez várias exposições, inclusive na prestigiada Casa Levy, e recebeu encomendas de pinturas históricas, mas voltou para o litoral porque não teve o retorno financeiro esperado. Mudou-se para São Vicente. Só foi chamado por Taunay para fazer a série para o Museu Paulista a partir de 1917. Seguiria nessa empreitada até o começo dos anos 1920.

Além de paisagens urbanas, pintou retratos do bandeirante Domingos Jorge Velho, do padre José de Anchieta, de dom Pedro 10 e do estadista José Bonifácio, entre outros personagens ilustres. Só ver suas telas “O Porto de Santos em 1822”, a “Fundação da Vila de Santos” e “O Porto de Santos em 1922” justifica a visita ao Museu do Café, em Santos. O vitral do museu também é de sua autoria.

A praça que lhe faz homenagem foi batizada com seu nome em 1936, mas já existia desde 1925, quando um terreno entre as ruas Teodoro Sampaio e Cardeal Arcoverde, doado à prefeitura pelo doutor Cláudio de Souza, foi aterrado. Hoje é um dos lugares mais charmosos da cidade, com uma feira de antiguidades aos sábados, e uma longa história de arte e lazer. Nos anos 1980 teve enorme importância cultural. Abrigava o teatro e casa de shows Lira Paulistana, além de uma excelente livraria chamada Neon e uma prestigiada escola de vídeo, a The Academia Brasileira de Vídeo, considerada a primeira do gênero no país.



Fonte ==> Folha SP

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