19 de junho de 2026

Jornada de Agroecologia em Curitiba aproxima campo e cidade, e consolida ‘projeto de vida’, avalia dirigente do MST

A 23ª edição da Jornada de Agroecologia, realizada em Curitiba (PR), reafirma o evento como um espaço fundamental de troca de saberes, afeto e fortalecimento da agricultura familiar. Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Bruna Zimpel, integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelo Paraná, destacou a pluralidade do encontro, que segue até o dia 21 de junho no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nesta edição, a feira reúne 137 empreendimentos solidários, cooperados e da agricultura familiar vindos de todas as regiões paranaenses. Para a coordenadora, o evento reflete uma sólida trajetória de organização popular. “A jornada de agroecologia tem uma construção histórica, já está na sua 23ª edição e, a cada ano, ela vem acumulando também experiência, conhecimento e uma história que vai se multiplicando ao longo de todos esses anos”, pontuou Zimpel.

Além das ações concentradas no bairro Jardim das Américas, na capital, a dirigente explicou que o evento atua de forma descentralizada. “A programação é bem ampla e, inclusive, hoje tem atividades acontecendo no campo, nos assentamentos na Lapa e em outros espaços próximos. Então são muitas atividades acontecendo ao mesmo tempo na sua diversidade, assim como é a agroecologia”, detalhou a entrevistada.

Conexão urbana e o engajamento da juventude

A inserção da jornada dentro do ambiente universitário cumpre o papel estratégico de expandir o diálogo com a sociedade civil. Segundo a representante do MST, a iniciativa serve para “aproximar cada vez mais e envolver mais pessoas da cidade, e principalmente a juventude que está na universidade”, conectando o público urbano às dimensões reais do que envolve o modelo agrícola sustentável — desde a produção de alimentos até a relação e o cuidado com a natureza.

Mais do que um ponto de comercialização de produtos, a feira funciona como um local voltado para o encontro e o reabastecimento político das bases. “Diríamos assim que a jornada é um espaço onde todo mundo que compreende a importância da agroecologia, da diversidade da vida, vem vivenciar, vem buscar um pouco mais de informações, compartilhar elementos, carregar energia para seguir no dia a dia, efetivando e cultivando essa diversidade”, sintetizou Zimpel.

Cultura, sentimentos e projeto de vida

A extensa programação da 23ª Jornada engloba desde a comercialização na feira até espaços imersivos (como o “túnel do tempo”), oficinas práticas e intensas apresentações artísticas. Questionada sobre o papel da cultura na luta por um modelo de agricultura mais justo, a dirigente fez questão de ressaltar que a arte traz a “sensibilidade da agroecologia”, fortalecendo a dimensão profundamente humana do movimento.

“Quando nós falamos em agroecologia, nós falamos em projeto, projeto de vida que não é só a produção, não é só o material, são as relações humanas. É também essa dimensão dos sentimentos que se colocam e que se fortalecem a partir da cultura”, refletiu a coordenadora. Segundo ela, as manifestações culturais estimulam as “diversas formas de sentir”, despertando os sentidos do público, como a audição e o paladar.

No encerramento da entrevista, Bruna Zimpel reforçou o chamado à população para participar dos espaços de troca e formação. “Gostaríamos de convidar a todos que nos ouvem também e que têm possibilidade de vir para a jornada de agroecologia, vivenciar esse momento tão importante aqui e de tanta riqueza, de tanta diversidade”, finalizou.

Tecnologia e a presença de lideranças populares

Para além dos debates e da comercialização de alimentos saudáveis pela Feira da Agrobiodiversidade, a 23ª edição da Jornada de Agroecologia conta com uma forte programação política e cultural. Entre os destaques das atividades descentralizadas ocorridas nesta sexta-feira (19) no Assentamento Contestado, na Lapa (PR), está a realização do seminário “A Reforma Agrária Popular e as ferramentas para a massificação da agroecologia”, com a exposição de João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST.

O grande diferencial tecnológico da edição deste ano é o lançamento oficial da plataforma “Iara” (Inteligência Artificial na Reforma Agrária e Agroecologia). A novidade foi apresentada no período da manhã durante as atividades no assentamento, buscando apresentar à sociedade as inovações tecnológicas e científicas aplicadas diretamente na agricultura familiar e na Reforma Agrária Popular.

Na parte da tarde, o público do assentamento pôde participar de estações temáticas divididas em eixos como Tecnologia na Reforma Agrária, Saúde Popular, Manejo Agroecológico e Cooperativismo. Já no campo cultural do evento, o grande destaque fica por conta do rapper GOG, consagrado como o “poeta do rap nacional”, que lidera uma extensa lista de shows, saraus e batalhas de rima. Toda a organização estruturada pela Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária (ACAP) reforça uma tradição solidária do evento prático: para as refeições comunitárias, os participantes devem levar seus próprios pratos e talheres.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.



Fonte ==> Brasil de Fato

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