O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com um recurso no Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter parte da decisão que apontou falhas na análise do empréstimo de R$ 12 bilhões concedido aos Correios com garantia da União. A estatal vive uma grave crise financeira com um prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025 e R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano.
Segundo apurações do Valor Econômico e do Estadão Broadcast confirmadas pela Gazeta do Povo, o pedido foi apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em que defende a legalidade do plano de reestruturação da estatal contra a decisão do TCU tomada no fim de maio. Na ocasião, os ministros identificaram possíveis problemas na forma como o governo avaliou a situação financeira dos Correios antes de aprovar a operação.
Para o tribunal, faltou uma análise “própria e independente” das informações que serviram de base para o plano de recuperação da empresa.
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O TCU informou ao governo que pode ter havido descumprimento de regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, afirmou que a análise da capacidade de pagamento dos Correios foi insuficiente, o que, na avaliação da Corte, “afronta” um dispositivo constitucional de 2024.
Por causa dessas conclusões, o tribunal recomendou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Ministério da Fazenda revisem os critérios usados para aprovar planos de reestruturação e conceder garantias da União a empresas estatais. A ideia é estabelecer exigências técnicas mais rigorosas antes da liberação de novas operações de crédito.
No recurso apresentado ao TCU, a AGU pede que esses pontos da decisão sejam anulados. O órgão argumenta que o plano de reestruturação dos Correios seguiu todas as etapas previstas e que cada área do governo atuou dentro de suas atribuições durante a análise do processo.
“Tal documento representa um projeto, que, se bem-sucedido, permitirá que a companhia apresente indicadores financeiros futuros que possam ser suficientes para melhorar os indicadores de liquidez, geração de caixa, endividamento e rentabilidade da companhia, não tendo influência significativa na metodologia de análise de capacidade de pagamento usualmente utilizada nesses processos”, argumentou o MPTCU na representação a que a Gazeta do Povo teve acesso.
Apesar dos questionamentos, o TCU não suspendeu o plano de recuperação nem aplicou punições aos responsáveis. O tribunal apenas deu ciência ao governo das possíveis irregularidades, o que significa que elas deverão ser analisadas e corrigidas, se necessário.
Para tentar reduzir o rombo recorde, os Correios colocaram em prática um plano de contenção de gastos com medidas como um Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 7 mil empregados, venda de imóveis sem uso e busca por novos empréstimos para reforçar o caixa e modernizar a frota e os serviços de logística.
Fonte ==> Gazeta


