A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado 18 vezes maior que o registrado um ano antes. A requisição foi protocolada na noite deste domingo (17) no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo e envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa atribuiu a decisão à “deterioração das condições econômico-financeiras” e citou juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. Segundo a companhia, o pedido busca preservar as atividades, proteger a geração futura de valor e organizar o pagamento das obrigações.
“O ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia”, afirmou a Casas Bahia em comunicado.
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Em 2024, o grupo empresarial que compreende a Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial com prejuízo de cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. No balanço deste final de semana, a companhia relevou uma disparada das contas para R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, muito acima dos R$ 555 milhões negativos registrados no mesmo período de 2025. No resultado ajustado, que exclui efeitos considerados extraordinários, a perda foi de R$ 978 milhões, alta de 76% em um ano.
A Casas Bahia informou que aproximadamente R$ 9,1 bilhões do prejuízo foram provocados por eventos não recorrentes, incluindo baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido. O resultado financeiro líquido também piorou, com saldo negativo de R$ 1,278 bilhão, contra R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre de 2025.
“Tamanho é consequência, não objetivo: em um ambiente de maior custo de capital, a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno. O redimensionamento garante uma operação sustentável e autofinanciável. Muda a rota, não o destino: O plano previa uma fase de aceleração; o macro veio pior e retirou, por ora, suas condições. Voltamos à postura caixa primeiro, redimensionando com prioridade em geração de caixa e rentabilidade”, diz trecho do balanço do segundo trimestre (veja na íntegra).
Apesar da deterioração, a receita líquida da Casas Bahia cresceu 1,6%, para R$ 6,97 bilhões. O Ebitda ajustado, porém, caiu 9,4%, para R$ 518 milhões, indicando que o avanço das vendas não foi suficiente para compensar a pressão sobre os resultados.
A situação de caixa já havia levado a administração a admitir, no balanço, a avaliação de “alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais”. A auditoria EY, por sua vez, apontou uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.
“Plano de Ação: redimensionar a Companhia, priorizando canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento, para fortalecer o caixa e assegurar uma operação sustentável e autofinanciável”, completou a empresa no balanço.
Crise nas empresas da varejista
Ao todo, o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia compreende as empresas:
- ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.;
- ASAP Log Ltda.;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.;
- Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.;
- Globex Administração e Serviços Ltda.;
- Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
- Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.;
- Casas Bahia Tecnologia Ltda.;
- Indústria de Móveis Bartira Ltda.
A crise também provocou redução da estrutura da varejista, que fechou 298 lojas até o fim de junho. No mesmo período, o grupo terminou com 30,1 mil funcionários, 1,6 mil a menos que no início de 2025.
A Casas Bahia afirmou que vem revisando estoques, compras, contratos, despesas administrativas e investimentos. A estratégia anunciada pela empresa prevê reduzir a necessidade de capital, melhorar a geração de caixa e concentrar a operação em canais e categorias considerados mais rentáveis.
Apesar do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia informou que o atendimento aos clientes continua funcionando normalmente nas unidades restantes durante a reestruturação.
Fonte ==> Gazeta

