Em agosto de 2023, Rosane Borosky e o marido, Genilson, enfrentavam dificuldades para manter as contas da propriedade rural da família em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. O casal tinha 48 vacas produzindo cerca de 1,3 mil litros de leite por dia, mas os custos da atividade haviam aumentado e a renda já não era suficiente para cobrir as despesas.
A produtora não queria abrir mão do rebanho. Sem saber como manter a atividade, recorreu a uma oração. “Me ajoelhei e pedi a Deus para me ajudar, porque eu não queria vender as vacas. Veio uma voz na minha cabeça falando: ‘Rosane, faça queijo’”, conta.
Ela logo separou quatro litros de leite e fez a primeira peça, batizada de “Queijo da Motta”, em homenagem à sua avó. Depois, entregou a uma conhecida para avaliar. Com a aprovação inicial, o produto começou a ser oferecido a familiares e amigos. Hoje, a Queijaria Meu Propósito produz entre 250 e 380 quilos de queijo por mês, conforme a demanda, e a agroindústria se tornou uma das principais fontes de renda da família.
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Da superação do luto ao negócio de queijos
Neta e filha de agricultores, Rosane vive na propriedade da família, em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, desde que nasceu. O interesse em manter as atividades da família surgiu ao procurar maneiras de lidar com o luto, após a perda de um filho. Nessa busca, a convite da irmã, participou de um treinamento para pecuaristas em Castro, nos Campos Gerais. A experiência ajudou a retomar os planos para a propriedade.
“Lá eu consegui colocar minha cabeça no lugar e voltei ao que eu era. Cheguei em casa decidida a continuar com o gado de leite que meus pais tinham”, afirma.
O marido trabalhava fora, e os dois passaram a assumir juntos o rebanho. Mas o resultado não se sustentou: um problema na formulação da alimentação das vacas acabou comprometendo o rebanho. A família precisou vender alguns animais e passou a ter dificuldades para pagar as contas.
Foi nesse momento que Rosane decidiu tentar transformar o leite em queijo. Sem recursos para construir uma agroindústria do zero, a família aproveitou uma construção que já existia na propriedade. A produtora buscou ainda capacitação específica em um curso de derivados de leite pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e em um projeto de queijos finos em Toledo (PR).
Da feira local à regularização da queijaria
As primeiras vendas foram feitas entre amigos, familiares e consumidores em eventos locais. No início de 2024, após ser impedida de participar de uma feira de produtores por não ter produtos classificados como coloniais, Rosane recebeu um novo convite e passou a utilizar o evento como uma das principais portas de entrada para os consumidores.
O que começou com quatro litros de leite passou para dez litros e, atualmente, em períodos de maior demanda, Rosane chega a fazer três batidas de 200 litros em um único dia de produção.
Um passo importante veio em fevereiro de 2025, quando a agroindústria recebeu o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal (SIMPOA), licença sanitária municipal para derivados de leite. A regularização deu segurança para ampliar a comercialização e permitiu que a queijaria avançasse para competições estaduais.
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Virada de chave
O primeiro reconhecimento veio em 2025. O “Queijo da Motta”, produzido com leite de vacas Jersey, recebeu nota 98,45 no Prêmio Queijos do Paraná e conquistou o Super Ouro, principal distinção da competição.
No dia seguinte à premiação, o estoque do queijo acabou na feira. “Foi uma virada de chave. A gente recebeu uma procura muito maior do que imaginava. As vendas aumentaram e a confiança também”, conta.
Ainda em 2025, a família decidiu subir um degrau e participar de uma competição nacional: o Prêmio Queijo Brasil. Dos cinco produtos enviados, quatro receberam medalhas: prata para o Queijo da Motta e bronze para três produtos maturados. Rosane também recebeu o prêmio de produtor destaque do município de Marechal Cândido Rondon.
A queijaria voltou à competição nacional na edição de 2026 com uma participação maior. Foram 14 produtos enviados, dos quais 11 receberam medalhas: três de ouro, quatro de prata e quatro de bronze.

Premiações fazem a demanda superar a produção
As premiações ampliaram a procura, mas também expuseram um limite para o negócio: a capacidade de produção. “Tem uma fila de novos pontos esperando os produtos. A gente vai ter que aumentar a quantidade de produção para atender a todos”, afirma a produtora.
Agora, um chalé está em fase final de construção em frente à agroindústria para receber consumidores e ampliar a venda. O desafio é aumentar a capacidade para acompanhar o crescimento da demanda.
O crescimento também exigiu mudanças na rotina da família. Cada integrante passou a ter uma função específica na atividade, desde o manejo das pastagens até a fabricação dos queijos.
“Para quem chegou a dizer que nunca faria queijo na vida, hoje eu não me vejo um dia sem estar dentro da agroindústria. É meu lugar de paz, mas também é onde eu mais me desafio”, conta Rosane.
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Fonte ==> Gazeta


