Marcelo Kertichka, presidente nacional da ABRAESC, destaca a importância da formação técnica ou superior para quem pretende construir uma carreira segura e responsável em um setor que atua na fronteira entre beleza, saúde e bem-estar
O mercado brasileiro de estética e bem-estar vive um período de expansão, impulsionado pela procura por novos procedimentos, tecnologias e tratamentos. Ao mesmo tempo em que esse crescimento amplia as oportunidades profissionais, também aumenta a necessidade de discutir qualificação, responsabilidade e segurança na prestação desses serviços.
A proximidade entre estética e saúde faz com que a formação profissional tenha um papel que vai além do aprendizado de técnicas. Conhecimentos sobre fisiologia humana, cosmetologia, biossegurança e possíveis intercorrências são fundamentais para que procedimentos sejam realizados de maneira responsável.
Para Marcelo Kertichka, presidente nacional da ABRAESC (Associação Brasileira dos Esteticistas e Cosmetólogos), CEO do Grupo INA Empreendimentos em Educação e Saúde, pedagogo, biomédico e farmacêutico, investir em formação técnica ou tecnológica em Estética, realizada por instituição devidamente credenciada, é um dos principais pilares para quem pretende construir uma trajetória profissional sólida no setor.
Cursos rápidos e os riscos da formação insuficiente
A popularização dos procedimentos estéticos nas redes sociais também trouxe consigo uma grande oferta de cursos livres de curta duração. Muitos prometem ensinar técnicas específicas em poucas horas, frequentemente concentrando o conteúdo na aplicação prática do procedimento.
O problema surge quando esse treinamento é tratado como substituto de uma formação profissional mais abrangente.
Segundo Kertichka, saber reproduzir uma técnica não significa necessariamente compreender tudo o que acontece no organismo durante sua aplicação. O conhecimento sobre fisiologia, cosmetologia avançada e biossegurança permite avaliar não somente como executar determinado procedimento, mas também suas limitações, riscos e possíveis reações.
A utilização de produtos e equipamentos de alta tecnologia sem conhecimento adequado sobre as respostas biológicas do organismo pode colocar o cliente em risco e trazer consequências para quem realiza o procedimento.
Formação profissional e regulamentação
A profissão de esteticista e cosmetólogo é regulamentada no Brasil pela Lei nº 13.643, de 3 de abril de 2018, que estabelece as atividades de Esteticista, incluindo as categorias de Técnico em Estética e Cosmetólogo e de Esteticista e Cosmetólogo.
Nesse sentido, a formação técnica ou superior adequada à atuação profissional ganha relevância não somente pela qualificação prática, mas também pelo respaldo necessário para o exercício da atividade dentro das atribuições estabelecidas pela legislação.
Para Kertichka, escolher uma instituição de ensino devidamente regularizada e verificar a validade da formação oferecida são cuidados que precisam acontecer antes mesmo da matrícula.
Saber agir diante de uma intercorrência
Um dos principais argumentos em favor de uma formação mais completa está na capacidade de reconhecer e responder a situações inesperadas.
O profissional não precisa apenas saber como determinado procedimento deve ser realizado em condições ideais. Também deve compreender os sinais apresentados pelo organismo quando algo foge do esperado e conhecer as condutas compatíveis com sua área de atuação.
Essa preparação envolve conhecimentos que dificilmente podem ser desenvolvidos de maneira consistente em treinamentos de poucas horas.
A formação, portanto, deixa de ser vista apenas como uma maneira de aprender novos procedimentos e passa a funcionar como uma base científica para a tomada de decisões no cotidiano profissional.
Qualificação também influencia o acesso ao mercado
Outro reflexo apontado por Kertichka está nas próprias oportunidades disponíveis dentro do setor.
Segundo ele, grandes marcas de dermocosméticos e fabricantes de equipamentos podem exigir comprovação de formação profissional para comercialização de determinados produtos, utilização de tecnologias ou participação em treinamentos específicos.
A qualificação também interfere na relação de confiança estabelecida com o público. Com consumidores cada vez mais atentos às credenciais dos profissionais responsáveis pelos atendimentos, apresentar uma formação reconhecida pode contribuir para aumentar a percepção de segurança e credibilidade.
Essa confiança também pode se refletir no posicionamento profissional e na valorização dos serviços prestados.
Ciência antes da tendência
Para o presidente nacional da ABRAESC, a expansão do setor não deve fazer com que a estética seja reduzida às tendências que ganham visibilidade nas redes sociais.
Por trás de cada procedimento existem conhecimentos científicos, protocolos de biossegurança, indicações, contraindicações e responsabilidades profissionais que precisam ser considerados.
Por isso, investir em um curso Técnico ou Tecnólogo em Estética devidamente regularizado representa, segundo Kertichka, um dos fundamentos para uma carreira longeva, ética e juridicamente mais segura.
A escolha da instituição de ensino torna-se, dessa forma, uma das primeiras decisões importantes da trajetória. Mais do que aprender uma técnica, a formação deve preparar o futuro profissional para compreender o que está fazendo, por que está fazendo e quais responsabilidades assume ao atender uma pessoa.
Fiscalização e denúncia de possíveis irregularidades
Kertichka também chama atenção para a importância de denunciar situações envolvendo pessoas que atuem irregularmente como esteticistas.
Diante de suspeitas, a orientação apresentada é procurar os órgãos competentes, como a Vigilância Sanitária do município, a Polícia Civil, por meio de boletim de ocorrência, o Procon municipal ou o Ministério Público, para que cada situação possa ser avaliada pelas autoridades responsáveis.
Para o especialista, fortalecer a qualificação e combater o exercício irregular são medidas que contribuem tanto para a valorização dos profissionais devidamente formados quanto para a proteção dos consumidores.
A mensagem central é que, em uma área diretamente relacionada ao corpo e ao bem-estar das pessoas, técnica e conhecimento científico precisam caminhar juntos. Transformar o interesse pela estética em profissão exige mais do que dominar procedimentos: exige formação, responsabilidade e compromisso com a segurança.
Marcelo Kertichka
Presidente Nacional da ABRAESC
CEO do Grupo INA Empreendimentos em Educação e Saúde
Pedagogo, Biomédico e Farmacêutico


