15 de setembro de 2026

Como o cooperativismo tirou o apelo do êxodo rural

Como o cooperativismo tirou o apelo do êxodo rural

Por décadas, poder mandar os filhos para a universidade e ajudá-los a conquistar um diploma foi sinônimo de orgulho para muitas famílias do campo. E continua sendo. Em outros tempos, contudo, formar um “doutor” significava dar à nova geração uma vida melhor na cidade e longe do trabalho pesado. Essa lógica de expulsão populacional, porém, começou a conviver com outro movimento em regiões de forte presença agroindustrial: a atração de trabalhadores e a criação de oportunidades capazes de manter renda e famílias no próprio território. 

No Oeste do Paraná, que sedia sete cooperativas ranqueadas entre as mil maiores empresas brasileiras, o movimento atual é de atração de mão de obra. Numa região de pouco mais de 1,5 milhão de habitantes, quase 80 mil empregos são gerados diretamente pelas cooperativas. Além dos trabalhadores que chegam para as agroindústrias, existe uma leva de jovens que retorna, ano após ano, após passar temporadas nos grandes centros em busca de formação universitária. Esse movimento está ligado diretamente à viabilidade econômica e a um propósito de vida nas propriedades rurais. 

A mudança de perspectivas não ocorre por acaso no Paraná, um estado em que 92% dos imóveis rurais têm menos de 100 hectares e a média fica em apenas 48 hectares. Esse recorte fundiário não teria resistido à pressão da concorrência e da produção em larga escala, se não houvesse uma forte “economia da vizinhança”, alavancada pela aglutinação de forças via cooperativas. “Não fosse o apoio da cooperativa, muitas terras na região já teriam sido vendidas ou arrendadas”, avalia Andreia Campanholli, supervisora de Cooperativismo da C.Vale, com sede no município de Palotina. 

Mais renda per capita nos mesmos lotes de terra

Na prática, a atuação da C.Vale, e de outras cooperativas com presença em pequenos municípios, acaba funcionando como escudo e ao mesmo tempo mola econômica para as propriedades rurais. Ajudando famílias a enfrentar mudanças tecnológicas, financeiras e geracionais sem precisar abrir mão da terra. Palotina, sede da C.Vale, é exemplo disso. Tem apenas 36 mil habitantes, fica relativamente distante de grandes adensamentos urbanos. Mas possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado (0,768) e renda per capita 50% maior do que a média brasileira.