A aproximação entre profissionais dos mercados de leilões do Brasil e da Argentina começa a ultrapassar as relações comerciais e tecnológicas. O intercâmbio de experiências entre os dois países abre espaço para uma nova frente de cooperação: a formação profissional especializada.
O tema ganhou força durante o 2º Congreso Nacional de Subastas Electrónicas, realizado em 18 de setembro, em Córdoba, na Argentina. O evento reuniu leiloeiros, martilleros, magistrados, representantes da administração pública, empresas de tecnologia e outros profissionais ligados ao setor.
Entre os convidados internacionais estava o empresário e especialista brasileiro Cristiney Soares, que apresentou parte da experiência desenvolvida no Brasil com leilões eletrônicos, gestão de veículos removidos, plataformas digitais e modernização de processos administrativos.
A participação brasileira permitiu comparar duas realidades que possuem diferenças jurídicas e profissionais, mas enfrentam desafios semelhantes: a necessidade de qualificação contínua, segurança nas operações, adaptação tecnológica, transparência e preparação para as novas formas de comercialização de ativos.
“O congresso mostrou que Brasil e Argentina têm muito a aprender um com o outro. Existem diferenças na legislação e na organização profissional, mas também há problemas, experiências e oportunidades que podem ser compartilhados”, afirma Cristiney.

Modelos diferentes e conhecimentos complementares
Na Argentina, a atividade do martillero possui forte vínculo com a formação acadêmica e com as regras estabelecidas por cada província. O modelo argentino oferece referências importantes sobre preparação profissional, avaliação de bens, prática comercial, direito aplicado e responsabilidade do intermediador.
No Brasil, embora a profissão de leiloeiro oficial seja regulamentada, a formação dos profissionais que participam do ecossistema dos leilões ainda ocorre, em grande parte, por meio da experiência prática, de cursos independentes e do conhecimento acumulado dentro das próprias empresas.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro avançou significativamente na realização de leilões eletrônicos, na gestão de grandes volumes de bens, na integração com órgãos públicos e no desenvolvimento de plataformas especializadas.
Essa combinação cria uma oportunidade de cooperação. A formação acadêmica e profissional argentina pode dialogar com a experiência operacional, regulatória e tecnológica desenvolvida no Brasil.
“Não se trata de reproduzir o modelo de um país no outro. A proposta é identificar o que cada mercado construiu de mais relevante e transformar esse conhecimento em uma formação adaptada à realidade latino-americana”, explica Cristiney.
Proposta de instituto bilateral está em desenvolvimento
Como resultado das conversas iniciadas entre representantes dos dois países, começou a ser desenvolvida a proposta de criação de um instituto bilateral dedicado ao ensino, à pesquisa e à capacitação profissional na área de leilões e subastas.
O projeto ainda se encontra em fase de estruturação. Nome, identidade institucional, modelo jurídico, grade definitiva e futuras parcerias acadêmicas dependerão de estudos, validações e entendimentos entre os participantes.
A concepção inicial prevê cursos em português e espanhol, com professores e especialistas brasileiros e argentinos. Os conteúdos poderão atender não somente leiloeiros e martilleros, mas também avaliadores, gestores de ativos, profissionais de tecnologia, advogados, servidores públicos, operadores de pátios, equipes administrativas e empresas com bens destinados à alienação.
Entre os temas em estudo estão:
- Fundamentos jurídicos dos leilões e das subastas.
- Formação e avaliação de lotes.
- Gestão de bens e ativos.
- Leilões judiciais, públicos e privados.
- Ética, responsabilidade e posicionamento profissional.
- Plataformas eletrônicas e segurança da informação.
- Marketing, comunicação e formação de público.
- Transmissões ao vivo e novas experiências digitais.
- Governança, auditoria e rastreabilidade.
- Inteligência artificial e inovação aplicadas ao setor.
A estratégia inicial considera uma implantação gradual, começando por conteúdos digitais e atividades de curta duração. A aceitação do público e os resultados dessa primeira etapa poderão orientar o desenvolvimento de cursos mais completos, programas de especialização, encontros técnicos e futuras parcerias com instituições de ensino.
Educação como instrumento de profissionalização
O crescimento dos leilões eletrônicos ampliou o alcance das operações, mas também aumentou a responsabilidade dos profissionais envolvidos. Atualmente, organizar um leilão exige conhecimentos que vão além da condução da sessão de lances.
É necessário compreender regras jurídicas, documentação, avaliação, comunicação, proteção de dados, meios de pagamento, segurança cibernética, atendimento ao público e prestação de contas.
A formação especializada pode ajudar a reduzir improvisações, elevar o padrão dos serviços e preparar profissionais para um mercado cada vez mais fiscalizado e tecnológico.
“O setor evoluiu rapidamente, mas a formação nem sempre acompanhou essa velocidade. A tecnologia mudou a maneira de divulgar, habilitar participantes, receber lances, realizar pagamentos e documentar as operações. Precisamos preparar as pessoas para essa nova realidade”, observa Cristiney.

Um projeto com perspectiva latino-americana
Embora a proposta tenha como ponto de partida a integração entre Brasil e Argentina, sua visão poderá alcançar outros países da América Latina.
A região compartilha desafios relacionados à digitalização, segurança jurídica, profissionalização, avaliação de bens e modernização das alienações públicas e privadas. A criação de uma rede de conhecimento permitiria reunir diferentes experiências e produzir conteúdos mais adequados à realidade latino-americana.
Além dos cursos, o futuro instituto poderá promover pesquisas, congressos, intercâmbios, publicações técnicas e debates sobre regulamentação, tecnologia e boas práticas.
A iniciativa também poderá aproximar profissionais experientes de uma nova geração interessada em atuar no setor. Dessa forma, o conhecimento acumulado na prática poderá ser organizado, documentado e transmitido de maneira estruturada.
Cooperação que ultrapassa fronteiras
As imagens registradas durante o congresso em Córdoba representam um momento de reconhecimento profissional, mas também simbolizam o início de uma construção mais ampla.
A integração entre Brasil e Argentina demonstra que o desenvolvimento do mercado de leilões não depende apenas de novas plataformas ou ferramentas. Depende igualmente da preparação das pessoas responsáveis por operar, fiscalizar e aperfeiçoar esses processos.
O futuro instituto ainda precisará passar por etapas de pesquisa, validação e estruturação. Entretanto, a aproximação já estabelecida entre os profissionais dos dois países revela que existe espaço para uma iniciativa educacional capaz de conectar experiências, formar profissionais e fortalecer o setor.
Quando o conhecimento ultrapassa fronteiras, ele deixa de atender apenas a um mercado e passa a contribuir para o desenvolvimento de toda uma comunidade profissional.
Sobre Cristiney Soares
Cristiney Soares é empresário, escritor e especialista em gestão de veículos removidos, pátios, tecnologia e leilões. Possui mais de duas décadas de experiência nos setores público e privado e participou de operações relacionadas ao processamento e à alienação de mais de 200 mil veículos em diferentes regiões do Brasil.
Está à frente da WEBZI Pesquisa & Inovação Tecnológica e da Empresa Brasileira de Leilões — EBL Online. Em setembro de 2026, participou como expositor internacional do 2º Congreso Nacional de Subastas Electrónicas, realizado em Córdoba, na Argentina.
A experiência vivida no 2º Congreso Nacional de Subastas Electrónicas, em Córdoba, ampliou uma visão que já vinha sendo construída: criar, no futuro, um instituto bilateral de ensino dedicado à formação e ao aperfeiçoamento de leiloeiros, martilleros, gestores, avaliadores, profissionais de tecnologia e demais integrantes desse ecossistema.
A proposta ainda está em fase de desenvolvimento, mas nasce com um propósito claro: aproximar o conhecimento produzido nos dois países, promover o intercâmbio de experiências e construir programas de formação conectados à realidade dos leilões presenciais e eletrônicos.
Mais do que ensinar técnicas, queremos contribuir para a formação de profissionais preparados para um mercado cada vez mais tecnológico, integrado, ético e transparente.
Quando o conhecimento ultrapassa fronteiras, ele deixa de pertencer a um único país e passa a transformar todo um setor.
Este é apenas o início de uma construção que poderá unir Brasil e Argentina em torno da educação, da inovação e do futuro dos leilões na América Latina.
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Instagram de Cristiney Soares
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WEBZI Pesquisa & Inovação Tecnológica
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