A frase que apresenta Guy Ritchie aos leitores da versão brasileira da Wikipedia informa: “é um cineasta inglês e ex-marido da cantora estadunidense Madonna”. A Wikipedia americana é mais generosa e menos fofoqueira: “é um cineasta inglês conhecido principalmente por filmes de comédia britânica sobre gângsteres e filmes de ação e aventura em grande escala”.
Desde 1998, com “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, seguido por “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000), “Revólver” (2005) e “RocknRolla: A Grande Roubada” (2008), Ritchie construiu uma carreira com traços nítidos, em filmes sempre protagonizados por criminosos meio cínicos, meio estúpidos, muita violência e rastros de humor ácido.
Ao longo de sua prolífica jornada como cineasta, Ritchie realizou filmes de outros gêneros e estilos. Fez um bem-sucedido “Sherlock Holmes” (2009), além de um “Rei Arthur” (2017) e um “Aladim” (2019), entre outros.
Nos últimos anos, porém, retornou ao gênero que mais marcou o seu trabalho e o adaptou brilhantemente ao formato de séries: dramas com toques cômicos sobre criminosos brutais, mas ridículos.
A virada teve início em 2024, com “Magnatas do Crime”, que aproveita pedaços de história de um filme com o mesmo título, lançado cinco anos antes, protagonizado por Matthew McConaughey.
O elenco da série criada por Ritchie para a Netflix é menos estelar, mas não deixa a peteca cair. Theo James vive Eddie Horniman, um duque e ex-capitão do exército britânico que é sócio de uma rede de plantação de maconha em terras de nobres ingleses falidos.
Ao redor do duque circula uma fauna variada de bandidos extravagantes, do alto ao baixo clero do crime, incluindo uma chefona mulher, Susie Glass, vivida por Kaya Scodelario, assistentes doidões e familiares de caráter duvidoso. Tem também Giancarlo Esposito como um bilionário americano, misterioso e filosófico.
Às vezes, parece que estamos assistindo “Downton Abbey” cem anos depois. Os cenários, ao menos, parecem os mesmos.
Lançada em agosto de 2024, a série logo foi renovada para uma segunda temporada, disponível na plataforma desde setembro deste ano. Mal esta entrou no cardápio da Netflix, a empresa anunciou que já encomendou uma terceira temporada.
Coincidência ou não, em março de 2025, o Paramount+ lançou “Mobland”, ou “Terra da Máfia”. É, igualmente, uma série sobre mafiosos britânicos, mas menos chiques, centrada em Londres. Guy Ritchie assina como produtor executivo e diretor de vários episódios.
A série criada pelo irlandês Ronan Bennett tem muito do humor ácido que tempera também “Magnatas do Crime”, com um adicional de enorme valor: o casal de protagonistas, Conrad e Maeve Harrigan, vivido por Pierce Brosnan e Helen Mirren.
Os Harrigan formam uma família muito louca e disfuncional de mafiosos. Eles fazem quase tudo errado, mas são sempre salvos por uma espécie de assistente faz-tudo, fidelíssimo, chamado Harry da Souza, vivido com brilho por Tom Hardy.
Assim como “Magnatas do Crime”, “Mobland” também teve a sua segunda temporada lançada em setembro deste ano e uma terceira fornada de episódios já foi encomendada.
Para quem é fã de Guy Ritchie, também recomendo “O Jovem Sherlock”, que ele ajudou a desenvolver e dirige alguns episódios, lançada pelo Prime no início deste ano e já com segunda temporada encomendada. Não é uma série com humor tão ácido quanto as outras duas, mas oferece entretenimento de primeira.
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Fonte ==> Folha SP


