Em um mercado dominado pela inteligência artificial, pela hiperconectividade e pela pressão por resultados, Anna Maoli defende uma nova perspectiva sobre alta performance: a capacidade de sustentar atenção, regular o estado interno e liderar com consciência pode se tornar um dos ativos mais valiosos da nova economia.
O mundo empresarial está vivendo um paradoxo. Nunca tivemos tantas ferramentas para economizar tempo. Ainda assim, parece que nunca estivemos tão ocupados.
A inteligência artificial automatiza tarefas, antecipa análises e acelera processos. Mas, enquanto a tecnologia ganha velocidade, a mente humana enfrenta uma disputa permanente por atenção.
Segundo o Work Trend Index 2025, da Microsoft, 80% dos profissionais entrevistados afirmaram não ter tempo ou energia suficientes para realizar seu trabalho. Entre os usuários mais sobrecarregados analisados pela empresa, notificações, mensagens e reuniões chegam a interromper o expediente a cada dois minutos.
O dado revela uma contradição importante: estamos ampliando nossa capacidade de produzir, mas será que estamos preservando nossa capacidade de pensar?
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, também aponta uma direção interessante. Pensamento analítico, resiliência, liderança e autoconsciência aparecem entre as competências mais valorizadas pelos empregadores.
É nesse cenário que ganha relevância uma nova tese sobre o futuro dos negócios: a economia da presença, conceito que propõe reconhecer a atenção consciente, a qualidade das relações e a clareza mental como ativos estratégicos em um mundo cada vez mais automatizado.
O valor daquilo que não pode ser automatizado
Se a tecnologia torna a informação cada vez mais acessível, o diferencial competitivo passa também pela maneira como o ser humano interpreta, decide, cria e se relaciona.
Para a naturopata, empresária e treinadora frequencial Anna Maoli, que trabalha com desenvolvimento humano e alta performance, o mercado precisa ampliar sua compreensão sobre o valor do estado interno de seus líderes.
“Durante décadas, fomos ensinados a administrar tempo, dinheiro, equipes e processos. Mas pouco aprendemos sobre administrar a própria atenção. E existe algo que nenhuma tecnologia pode fazer por nós: assumir a responsabilidade pela consciência com que conduzimos nossas escolhas”, afirma.
Com formação em práticas integrativas e experiências de estudo em tradições orientais, Maoli defende que a presença deve ser compreendida como uma competência que pode ser desenvolvida.
Essa perspectiva encontra respaldo em pesquisas sobre atenção e regulação emocional. Uma meta-análise publicada em 2024, reunindo 111 ensaios clínicos randomizados e 9.538 participantes, identificou efeitos pequenos a moderados de intervenções baseadas em mindfulness sobre funções cognitivas como atenção executiva, memória de trabalho e controle inibitório.
Práticas respiratórias também vêm sendo investigadas. Um estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade Stanford identificou benefícios de exercícios diários de respiração de cinco minutos sobre indicadores de humor e regulação fisiológica.
Para Maoli, essas ferramentas ajudam a desenvolver uma habilidade essencial para quem ocupa posições de liderança: reconhecer o próprio estado mental antes de reagir automaticamente às pressões externas.
“Um empresário pode estar fisicamente em uma reunião, mas mentalmente em outros dez lugares. Pode estar com a família enquanto continua resolvendo problemas da empresa. A pergunta é: quanto da nossa vida estamos realmente presentes para viver?”
Anna Maoli
A presença como novo indicador de riqueza
Na economia tradicional, riqueza costuma ser medida por patrimônio, faturamento e capacidade de expansão.
Mas uma nova pergunta começa a fazer sentido entre líderes: de que adianta conquistar liberdade financeira se a mente permanece incapaz de experimentar essa liberdade?
Para Maoli, o conceito de sucesso precisa acompanhar essa transformação.
“Acredito que a próxima grande evolução da alta performance será compreender que presença também é potência. Quando aprendemos a regular nosso estado interno, criamos melhores condições para enxergar oportunidades, fortalecer relações e tomar decisões alinhadas ao nosso propósito.”
Essa visão também está relacionada à valorização de experiências presenciais que combinam desenvolvimento humano, autoconhecimento e reflexão estratégica.
No dia 30 de novembro, das 9h às 18h, em uma mansão em São Paulo, Anna Maoli realiza o Mind Day, uma imersão dedicada à consciência mental, à regulação do estado interno e à construção de uma visão mais coerente para 2027.
A experiência propõe um encontro entre práticas de atenção, respiração, autoconhecimento e reflexão sobre escolhas pessoais e profissionais, convidando empresários e líderes a interromperem o ritmo automático para recuperar algo que se tornou cada vez mais valioso: a própria presença.
Para Maoli, a discussão sobre o futuro dos negócios precisa considerar não apenas o avanço das tecnologias, mas também a capacidade humana de utilizá-las com consciência.
“A inteligência artificial pode acelerar o mundo. Mas quem vai ensinar o ser humano a estar presente nele?”
Anna Maoli
Em uma economia onde quase tudo pode ser acelerado, talvez a verdadeira vantagem competitiva esteja justamente naquilo que exige consciência, discernimento e intenção.
Porque o futuro dos negócios não depende apenas da velocidade com que avançamos, mas da presença com que escolhemos para onde estamos indo.

Palestrante, escritora, terapeuta naturopata, treinadora e fundadora da Maoli Company.


