Por Shaun Tandon
O presidente israelense, Isaac Herzog, encarregará o líder do bloco da oposição, Gadi Eisenkot, da tarefa de formar um governo após as eleições legislativas do fim de outubro, o que pode desbancar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
As primeiras eleições desde a guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas, em 8 de outubro de 2023, terminaram sem maioria tanto para Netanyahu e seus aliados, quanto para o bloco de Eisenkot.
No entanto, o líder oposicionista, um ex-chefe militar recém-chegado à política, conta com o espinhoso apoio dos partidos árabes e também abriu a porta, nesta semana, para uma até então improvável aliança com os judeus ultraortodoxos, que seria suficiente para que ele governasse.
Depois de realizar consultas com todos os partidos ao longo da semana, Herzog anunciou, neste sábado (7), que confiará primeiro a Eisenkot “a missão de formar o governo”.
A nomeação oficial acontecerá em uma cerimônia no domingo, na residência presidencial em Jerusalém, informou o gabinete de Herzog em um comunicado.
“Chegou o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei de tudo para que estejamos à altura”, reagiu Eisenkot nas redes sociais.
Nas consultas com o presidente, partidos que representam um total de 67 deputados recomendaram Eisenkot, contra 46 deputados do bloco de Netanyahu.
Mas entre as legendas que se inclinaram pelo ex-chefe do Estado-Maior estão os partidos árabes-israelenses, dos quais determinados setores do bloco de oposição não querem depender.
Árabes ou ultraortodoxos
Após as eleições, Herzog havia manifestado sua preferência por um governo de unidade nacional que reúna os israelenses judeus de todo o espectro político.
Netanyahu também reivindicou um governo de unidade, mas a oposição insiste que o primeiro passo deve ser a sua saída.
Com quase duas décadas no poder de forma intermitente, o dirigente conservador é o primeiro-ministro que ocupou o cargo por mais tempo na história de Israel.
Se for derrubado, poderá enfrentar penas de prisão por vários casos de corrupção que pesam sobre ele. Ele também é alvo de uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional pela guerra em Gaza.
Nos últimos dias, Netanyahu atacou a oposição por considerar acordos com os árabes-israelenses, descendentes dos palestinos que permaneceram após a criação de Israel em 1948.
Neste sábado, poucas horas antes do anúncio de Herzog, ele qualificou os partidos árabes de islamistas e afirmou que uma coalizão com eles “desmantelaria o Estado de Israel por dentro”.
Em resposta, o partido Yashar de Eisenkot instou os aliados de Netanyahu e os membros de seu partido, o Likud, a formar um governo de unidade liderado pelo ex-chefe militar.
A aliança com os partidos árabes gera atritos dentro do bloco opositor porque os setores mais à direita não veem com bons olhos que o governo dependa dessas legendas.
Um deles é Avigdor Liberman, um ex-colaborador de Netanyahu que, embora agora o critique ferozmente, compartilha de suas posturas rígidas em relação aos palestinos.
Na sexta-feira, esse ferrenho laicista abriu a porta para um acordo com os judeus ultraortodoxos e se mostrou disposto a debater uma lei para isentá-los do serviço militar obrigatório, contrariando o que havia prometido na campanha.
A isenção do serviço militar para os ultraortodoxos gera forte ressentimento em importantes setores da sociedade israelense, especialmente quando muitos reservistas estão mobilizados em Gaza e no Líbano.
Eisenkot propôs um serviço nacional para todos os israelenses, embora permitindo escolher uma opção civil em vez da militar, o que possibilitaria certa acomodação para os ultraortodoxos.
Após sua nomeação, Eisenkot terá 28 dias para reunir os 61 votos necessários para governar. Se não conseguir, Herzog pode conceder uma prorrogação de 14 dias antes de encarregar outra pessoa da tarefa.
Se nenhuma das partes tiver êxito, Israel caminhará para novas eleições. Entre 2019 e 2022, o país realizou cinco pleitos devido a repetidos bloqueios políticos.
Fonte ==> Casa Branca


