Além de colorir as ruas, Festival Olhe pra Cima abre exposição no MACRS

Desde 2021, o Festival Olhe pra Cima, primeiro evento de muralismo e arte pública de Porto Alegre, realiza pinturas de murais, transformando a cidade em um museu a céu aberto. Mas, a partir desta quinta-feira (9), a iniciativa apresenta uma novidade: uma exposição na sede do MACRS, localizada no Quarto Distrito, na rua Comendador Azevedo, número 256.

O evento marca uma celebração do projeto, apresentando imagens do acervo do festival, reunindo em uma mostra todos os murais e artistas envolvidos ao longo dos últimos 5 anos. A programação conta ainda com ações de acessibilidade, com audiodescrição dos murais já pintados. 

A exposição ocupa um dos antigos bondes da Carris instalados no pátio do museu, inaugurando o novo espaço expositivo do MACRS. “É uma oportunidade de concentrar o trabalho destas cinco edições e apresentar tudo que já foi desenvolvido até aqui”, revela o criador e curador do projeto, Vinicius Amorim. 

Exposição gratuita na sede do MACRS abre ao público nesta quinta-feira (9) – Fotos: Fabio Alt/Divulgação

A mostra tem entrada gratuita e poderá ser visitada até 9 de maio, de terça a sexta-feira, das 12h às 18h, e nos sábados e domingos, das 10h às 18h.

O evento promove sua quinta edição com ações entre janeiro e maio de 2026, com a pintura de mais seis empenas, totalizando 19 obras em prédios no Centro Histórico, Independência, Floresta e Cidade Baixa, somando mais de 9 mil m2 de intervenções artísticas pelo município. 

Artista chilena Jocelyn Burgos em frente ao seu mural na Otávio Rocha – Fotos: Fabio Alt/Divulgação

Para esta edição, o Festival Olhe pra Cima convidou os artistas Aline Bispo, Apolo Torres, Gordo Muswieck, Jocelyn Burgos, Lídia Brancher e Renan Santos, que transformaram as fachadas de prédios nas avenidas Independência, Cristóvão Colombo, Otávio Rocha, Loureiro da Silva, Borges de Medeiros e na rua Jerônimo Coelho em telas.

Com financiamento Pró-Cultura RS – Governo do Estado do RS, patrocínio Tintas Renner by PPG e Budweiser e apoio Elev Energy Drink, o festival encerrou a etapa de pinturas dos murais. Em torno de 60 profissionais são envolvidos no projeto, incluindo artistas, assistentes, produtores, técnicos, engenheiros e bombeiros para garantir a segurança de todos nos altos da Capital..

Cada mural leva em torno de 20 dias para ser pintado, dependendo de questões como clima e complexidade de cada desenho. Serão mais de 1.300 litros de tintas e vernizes da marca Tintas Renner by PPG utilizados no total. 

“Nossa meta é alcançar o máximo de regiões possíveis ao longo dos anos. Sabemos que essa mudança na paisagem urbana vai para além de revitalizar os prédios, pois traz transformações de impacto social: a arte pública promove na comunidade o desenvolvimento conjunto econômico, cultural e social, e para o indivíduo, os benefícios podem ser vistos na saúde, no desenvolvimento cognitivo, psicológico e também nos laços interpessoais. O projeto visa resgatar a sensação de pertencimento da comunidade, deixando para trás a sensação de que as vias públicas são meras passagens, mas sim espaço de arte, reflexão, beleza e contemplação”, declara o gestor cultural, responsável no Sul do país pelo projeto canadense Art Battle, maior competição de pintura ao vivo do mundo e que ocorre desde 2016 em Porto Alegre.

“Este é um exemplo claro de como as leis de Fomento são vitais para a Cultura gaúcha, permitindo que projetos de grande impacto nas artes visuais ganhem essa vida e esse alcance em público”, afirmou Adriana Boff, diretora do MAC, que também tinha sido sede do lançamento do festival antes do início das pinturas, no final de janeiro.

Renata Coutinho, do Marketing da Fruki Bebidas, na ocasião, relacionou a proposta do evento com a marca do energético da empresa, lançando o sabor Pink Lemonade: “A ideia é tirar a arte do seu lugar óbvio, e devolver a cidade às pessoas”.

Ação social terá intervenção artística coletiva no bairro Sarandi

Nos anos de 2021 e 2022, o Festival Olhe pra Cima realizou duas ações sociais: a pintura de mural no Território Ilhota e na fachada da Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal. Em 2024, foi a vez do bairro Sarandi, um dos mais atingidos pela enchente daquele ano, a receber uma intervenção artística coletiva assinada por 10 artistas juntamente com o Coletivo Abrigo, uma organização de educação, cultura, esporte e assistência social fundada em 2015.

O Coletivo Abrigo foi o idealizador do projeto Viva Elizabeth: Diálogos que transformam a vila, uma rota turística de graffiti localizada na periferia de Porto Alegre, na Vila Elizabeth, inspirado na Comuna 13 de Medellín. Com quase 2km de extensão, essa iniciativa reúne a expressão artística de 36 artistas, transformando a comunidade em uma vibrante galeria de arte a céu aberto. 

Além de estimular o turismo periférico, o projeto busca descentralizar os investimentos em cultura, impulsionar a economia local e celebrar a identidade cultural única da região. Conforme os representantes do Coletivo Abrigo que estavam presentes no lançamento deste ano, a oportunidade devolve às pessoas o direito de se reconhecerem como paisagem dessa cidade: “E, quando esse mural acontece na periferia, ele carrega ainda mais significado, dizendo ‘Vocês importam!’. Ele afirma que ali também há arte, há pensamento, há beleza”.

Na edição 2025/2026, o Olhe Pra Cima retorna ao Sarandi para mais uma ação que reunirá 10 artistas. Os interessados devem se inscrever através do site do projeto e os  selecionados receberão um cachê de R$ 1.200 e desenvolverão uma obra conjunta que integrará o tour. 

“A preocupação social sempre esteve presente em nosso festival, porque nosso objetivo  também é aproximar a arte daqueles que estão muito distantes dela, como os bairros periféricos com vulnerabilidade social”, declara Amorim. 

As inscrições para a convocatória encerram-se em 20 de abril. Os artistas selecionados serão divulgados em 28 de abril, com as pinturas previstas entre 8 e 11 de maio. Para mais informações, acesse www.olhepracima.com.br ou www.instagram.com/olhepracima.art. 





Fonte ==> Brasil de Fato

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