11 de abril de 2026

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A geopolítica mundial vive uma fase complexa, marcada por disputas por hegemonia econômica, petróleo e minerais críticos. Nesse cenário, um país com o peso territorial, populacional e econômico do Brasil precisaria contar com um serviço robusto de inteligência e contrainteligência.

A estrutura da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, estaria à altura do desafio? Um colaborador presidencial ouvido pela reportagem preferiu não comentar, evitando indispor-se com colegas de serviço público. Gente graúda do lulismo, porém, responde no lugar dele, e a avaliação não é nada boa. Nem para o governo, nem para a Abin.

“O Brasil não tem inteligência de Estado”, diz José Genoino, ex-presidente do PT. “Não temos as informações necessárias para lidar com a crise criada pelo trumpismo.” Para ele, a Abin está ‘no limbo’, e o programa de governo de Lula na campanha à reeleição deveria tratar a atividade de inteligência como algo estratégico.

“Não adianta esconder esse tema na eleição”, afirma Ricardo Berzoini, também ex-comandante do PT. “O aumento vertiginoso da inteligência artificial e a importância do petróleo e das terras raras merecem uma inteligência de alto nível.”

Genoino e Berzoini participaram na última quinta-feira 9, em um hotel de Brasília, de um debate sobre “Inteligência de Estado na democracia”. O seminário foi organizado pela Intelis, a entidade dos oficiais de inteligência da Abin, e pela Universidade Popular, a Unipop. Contou ainda com a presença de outro ex-presidente petista, José Dirceu.

Alguns parlamentares foram convidados, mas nenhum apareceu. Ausência sintomática de um grande obstáculo ao reforço do serviço nacional de inteligência, na avaliação de Acilino Ribeiro, reitor da Unipop e um dos autores de uma proposta de reformulação da Abin entregue ao governo de transição, dias antes da posse do presidente Lula (PT).

“A CIA e o Mossad agem dentro do Congresso para que a Abin não receba emendas parlamentares”, diz Ribeiro. CIA é o serviço de inteligência dos Estados Unidos e Mossad, o de Israel.

De 2019 a 2026, o Congresso direcionou apenas 14 milhões de reais em emendas para a Abin, conforme o Siga Brasil, um portal na internet mentido pelo Senado. Detalhe: nesse período, a verba geral das emendas saltou de 13 bilhões ao ano para 50 bilhões.

O dinheiro de emendas poderia encorpar a Abin. O órgão tem 933 milhões no orçamento deste ano. Parece muito? Um terço é para pagar servidores aposentados. A quantia reservada para “informação e inteligência” é de meros 81 milhões, menos de 10% do orçamento.

A CIA tem 14 bilhões de dólares ao ano, diz Berzoini. Até o serviço de inteligência da Argentina, país menor em PIB, extensão e habitantes do que o Brasil, tem mais recursos do que a Abin, segundo ele.

Orçamento não é o único problema da agência e do sistema brasileiro de inteligência como um todo, composto ainda por áreas especializadas nas Forças Armadas e nas polícias.

Para um oficial de inteligência, cujo nome será preservado nesta reportagem, a Abin está desorientada por culpa do governo, que não dá à agência as devidas instruções. “Não vamos participar do jogo geopolítico mundial sem uma inteligência civil”, diz esse oficial.

“Na Casa Civil, ficamos sem pai”, afirma outro funcionário, cuja identidade será preservada também.

Após o quebra-quebra de 8 de Janeiro de 2023 em Brasília, Lula tirou a Abin da estrutura do GSI, um órgão essencialmente militar existente no Palácio do Planalto e comandado por um general. A agência passou à Casa Civil da Presidência.

A extinção do GSI por Dilma Rousseff foi “uma das decisões mais acertadas” da então presidenta, na opinião de Dirceu. Segundo ele, os militares são um problema para a atividade de inteligência. O petista entende que as Forças Armadas fazem inteligência e política externa por conta própria, através de adidos em embaixadas. E o fazem com base em concepções e interesses próprios, não do Brasil.

Os participantes do debate concordam que, de modo geral, os militares são impregnados da visão de que sua missão é salvar o País de um “inimigo interno”. A ditadura vigente de 1964 a 1985 reprimiu as forças populares, os movimentos sociais e a esquerda política graças àquela concepção.

Essa “cultura” contamina setores da Abin também. “Nossa atividade de inteligência é marcada pela visão do inimigo interno”, diz Genoino. O autoritarismo de várias instituições nacionais seria, segundo ele, resultado da longa história escravocrata e colonial do Brasil.



Fonte ==> Casa Branca

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