As dúvidas de Ancelotti – 01/04/2026 – Tostão

Jogador brasileiro com camisa amarela e calção azul executa cobrança de pênalti em campo gramado. Quatro jogadores adversários de azul aguardam atrás da linha da bola, enquanto torcida lota arquibancada ao fundo.

A seleção alternou bons e maus momentos na vitória contra a Croácia por 3 x 1. O segundo gol, de pênalti, teve a colaboração do árbitro. A novidade tática foi a presença de Vinicius Junior pela esquerda, mas sem voltar para marcar. Quem teve essa função foi Matheus Cunha, que costuma jogar dessa maneira no Manchester United.

O primeiro gol saiu de um passe longo e preciso de Matheus Cunha para Vini, que driblou o marcador e tocou para Danilo Santos marcar. Endrick, que entrou no meio do segundo tempo, participou de dois gols. Luiz Henrique e Matheus Cunha atuaram com regularidade e foram os destaques do time brasileiro.

Quero ver a seleção novamente campeã do mundo. Em 1958, com 11 anos, escutei pelo rádio em um bar do bairro onde morava, junto com meus irmãos, a conquista do Brasil. Em 1962, vibrei com o título, escutando em casa pelo rádio. Em 1970, estava emocionado dentro do gramado. Depois que o Brasil fez 4 x 1 contra a Itália, joguei todo o restante da partida com lágrimas nos olhos.

Em 1994, vi pela televisão a final no centro de imprensa da Copa, em Dallas, nos EUA. Era médico e fui convidado para ir ao Mundial pela TV Bandeirantes. Em 2002, dentro do estádio, no Japão, trabalhando como colunista pela Folha, vi de perto o Brasil conquistar o penta. Tive vontade de entrar no campo para comemorar, mas precisava, rapidamente, escrever a minha coluna sobre o jogo e enviá-la para a redação no Brasil.

Depois dos dois amistosos, Ancelotti, os torcedores e nós, analistas, continuamos com algumas dúvidas sobre a seleção brasileira. O ideal, repito, seria o time, em uma mesma partida, de acordo com o momento, alternar o domínio da bola no meio-campo e a troca de passes antes de chegar ao gol, com a transição rápida da bola da defesa para o ataque para aproveitar a velocidade, a habilidade e os talentos dos pontas e atacantes. Seria querer demais? Não temos um meio-campo com tanta qualidade.

Será que, contra as mais fortes seleções, a melhor solução seria o Brasil reconhecer suas limitações, marcar mais atrás, formar um time compacto e contra-atacar para aproveitar a velocidade dos atacantes e a marcação mais alta dos adversários? Assim jogava a seleção campeã do mundo em 1994, com dois atacantes velozes e talentosos (Romário e Bebeto). Na época, o jovem Ancelotti era auxiliar do treinador da equipe italiana.

Há várias formações táticas para ganhar um Mundial.

Em 2002, o Brasil atuou com três zagueiros, dois alas, um volante (Gilberto Silva), um meio-campista que atuava de uma intermediaria a outra (Kleberson) e um trio de atacantes (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo).

Em 1970, o time jogou com quatro defensores, um trio no meio-campo (Clodoaldo, Gerson e Rivellino) e um trio no ataque (Pelé, Jairzinho e Tostão). A mesma estrutura tática teve o Brasil nas Copas de 1958 e 1962, com Zagallo formando um trio no meio-campo ao lado de Zito e Didi.

Outras dúvidas poderão surgir até o Mundial ou durante ele. As dúvidas enriquecem o trabalho de uma equipe. Uma das virtudes de Ancelotti na sua carreira vitoriosa tem sido saber conviver com as dúvidas e ter a capacidade de tornar simples o que é complexo.



Fonte ==> Folha SP

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *