19 de fevereiro de 2026

Bebidas alcoólicas em queda – 18/02/2026 – Opinião

Duas canecas de cerveja com espuma no topo, colocadas sobre uma superfície metálica. A cerveja é de cor dourada e translúcida, e ao fundo, há uma leve desfocagem que sugere um ambiente de bar.

As pessoas estão bebendo menos —notadamente os integrantes da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, as vendas da bebida alcoólica mais consumida no país caiu entre 6,5% e 7% em 2025, ante o ano anterior. Pesquisas nacionais e internacionais também mostram menor interesse dos jovens por esse hábito.

Se a tendência for mantida, o fenômeno é sinal de alerta para a indústria, mas representa ótima notícia para a saúde pública.

A literatura médica hoje é inequívoca ao postular que não há níveis seguros de consumo de álcool. O papel da substância no surgimento de vários tipos de câncer é maior do que se suspeitava, sem mencionar seu impacto sobre outras doenças, acidentes e conflitos interpessoais. Estima-se que o SUS gaste R$ 1,1 bilhão por ano para tratar enfermidades relacionadas ao álcool.

A indústria tenta se reposicionar, investindo no segmento de cervejas premium, que é mais lucrativo, e lançando novos produtos, tanto alcoólicos, caso das Beats, como sem álcool.

Também recorre a ações de marketing com o intuito de motivar jovens a beber —uma cervejaria tradicional acaba de contratar uma influenciadora com mais de 50 milhões de seguidores, grande parte deles da geração Z.

A lei nº 9.294 de 2016 chegou a limitar a propaganda formal de bebidas. Mas o lobby das cervejarias conseguiu introduzir no texto um parágrafo único segundo o qual bebidas com teor alcoólico inferior a 13% do volume não são consideradas alcoólicas.

Tal disposição, que carece de respaldo científico, permite o anúncio de produtos sem nenhuma restrição, até na TV e em qualquer horário. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) só avança um pouco mais ao vetar certos tipos de apelo nas propagandas.

Acionar técnicas de marketing para induzir hábitos viciantes é manobra abusiva que gera alto custo social. Deveria, portanto, ser contida pelo poder público.

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Fonte ==> Folha SP

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