Durante o governo Bolsonaro, em 2022, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alterou as regras para o crédito consignado, o que permitiu a criação do Credcesta, uma modalidade de crédito que possibilitou a expansão do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de organização criminosa e gestão fraudulenta. A mudança em uma das regras foi feita pelo INSS apenas 16 dias após o recebimento de um ofício do Master demonstrando a intenção de operação do cartão.
De acordo com reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, as mudanças nas regras foram cruciais para a expansão do banco, investigado pela Polícia Federal desde novembro de 2025 pela Operação Compliance Zero.
Por meio do Credcesta, o Master se expandiu para 24 estados e 176 municípios com contratos que saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, abrangendo servidores públicos municipais e estaduais, aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Os documentos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o INSS e o Master, obtidos pela Folha, mostram que as regras alteradas em 2022, sem detalhamento da operação, possibilitaram um funcionamento quase imediato do Credcesta e sua expansão acelerada e de forma irregular, segundo análise da atual gestão do INSS. O acordo vigorou de 2020 a 2025 e deixou de ser renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, investigadas pela PF.
Em nota enviada ao jornal, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master sempre atuou em observância a normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.
Coaf revela transações entre Vorcaro e ACM Neto
Vorcaro afirmou, também segundo apuração da Folha de S.Paulo, ter recebido em casa o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que é pré-candidato a governador da Bahia. O encontro teria ocorrido em maio de 2024 e foi registrado em fotos e mensagens trocadas entre Vorcaro e o empresário Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, entre março de 2023 a maio de 2024, a A&M Consultoria Ltda, empresa de ACM e da esposa dele, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag Investimentos, que também teve as atividades encerradas por graves violações às normas financeiras. Segundo o Coaf, a A&M movimentou “recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”.
Diante das afirmações do Coaf, ACM Neto respondeu que a empresa prestou serviços de consultoria, “notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional”, e negou irregularidades. Ele finalizou dizendo que à época, não existia nada que desabonasse o Master e a Reag no período do contrato.
A quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro vem revelando um complexo esquema de relações com políticos, banqueiros e empresários, que é investigado por denúncias de tráfico de influência para o enriquecimento ilícito e operações bancárias fraudulentas.
Além de Vorcaro, estão presos Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva, acusados de formar uma milícia utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
Fonte ==> Brasil de Fato


