17 de março de 2026

Consórcio de carros leves cresce em meio a juros altos – 16/03/2026 – Eduardo Sodré

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O impacto das taxas elevadas de juros no mercado automotivo pode ser medido não apenas pelo ritmo lento de crescimento das vendas, mas também pelos caminhos que sustentam o resultado positivo apesar do crédito caro.

Um dos indicadores está no avanço do setor de consórcios, alternativa escolhida por consumidores que desejam programar a compra e fugir das tarifas altas em tempos de Selic (taxa básica de juros do país) estacionada em 15% ao ano.

De acordo com a Abac (Associação Brasileira de Administradores de Consórcios), o segmento de veículos leves atingiu 1,91 milhões de adesões em 2025, um crescimento de 9,1% na comparação com 2024.

Os créditos disponibilizados chegaram a R$ 53,2 bilhões no ano passado, ano que terminou com 764,1 mil contemplações —aumento de 7,9% em relação a 2024, segundo a Abac.

No mesmo período, a venda de carros de passeio e de comerciais leves teve crescimento de 2,6% no país. Foram emplacadas 2,55 milhões de unidades no ano passado, de acordo com dados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos).

O tíquete médio dos contratos também cresceu, chegando a R$ 70,4 mil (alta de 14,7% em relação a 2024). Algumas empresas do segmento registram valores mais elevados, a exemplo da Disal, que é líder entre as administradoras independentes no consórcio de veículos leves.

A empresa atingiu o tíquete médio de operação de R$ 110,2 mil e, segundo seu CEO, Fábio Augusto de Souza, registrou crescimento 86% acima da média de mercado.

Segundo os dados divulgados pela Disal, foram comercializadas 70,3 mil cotas em 2025, uma alta de 12,8% em relação a 2024. O principal destaque, contudo, é o aumento de 26,6% dos créditos comercializados, o que reflete o avanço do tíquete médio em sua carteira.

“Em um mercado de crédito mais restrito, o consórcio se posiciona não apenas como um facilitador de consumo, mas como investimento e gerador de desenvolvimento econômico”, diz Souza, em nota.

No segmento de veículos pesados, o aluguel tem sido uma opção aos juros altos dos financiamentos. Um estudo da Mirow & Co mostra que, entre 2019 e 2024, a comercialização de caminhões para locadoras cresceu 50,3%.

“O mercado brasileiro de caminhões sempre foi altamente dependente do custo do capital. Com juros elevados, a compra direta perde competitividade, e modelos baseados em leasing e aluguel passam a oferecer uma equação financeira mais eficiente”, diz, em nota, Elmar Gans, sócio da Mirow & Co.

Em 2025, foram vendidos 110,9 mil caminhões no mercado nacional, segundo a Fenabrave. Houve queda de 8,7% na comparação com 2024. Na análise da Anfavea (associação das montadoras), o custo do crédito foi um dos principais fatores para a retração.



Fonte ==> Folha SP

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