Cuba reagiu nesta sexta-feira (30) aos novos ataques dos Estados Unidos contra a ilha. Depois que a Casa Branca anunciou o bloqueio à entrada de combustíveis no país, o governo de Miguel Díaz-Canel chamou as ameaças de “chantagem e coação” e afirmou que Washington usa uma série de “mentiras” para justificar essa decisão.
Em nota, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Parrilla, afirmou que os únicos que ameaçam a paz são os próprios Estados Unidos.
“Os EUA baseiam-se em uma lista de mentiras que pretendem apresentar Cuba como uma ameaça que não é. A cada dia há novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é a que exerce o governo dos EUA contra as nações e os povos da nossa América, aos quais tenta submeter ao seu ditame, despojar de seus recursos, mutilar sua soberania e privar de sua independência”, disse em texto.
Ainda de acordo com a nota, os EUA usam a chantagem e a coerção para tentar que outros países se juntem à política de bloqueio contra Cuba. O governo cubano denuncia que as sanções contra a ilha são “universalmente condenadas”. Além disso, a Casa Branca ameaçou a imposição de tarifas a outros países que comercializem com o governo cubano
“Essas ameaças arbitrárias e abusivas violam todas as normas do livre comércio. Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos está submetido ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira e que agora se promete submeter a condições de vida extremas”, diz o texto.
A entrada de combustíveis em Cuba já era limitada pelos Estados Unidos. O principal parceiro da ilha era a Venezuela, mas depois do bombardeio à Caracas e do sequestro do presidente Nicolás Maduro, a Casa Branca passou a pressionar pelo fim da venda de petróleo aos cubanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a dizer que não haveria mais venda de petróleo venezuelano ao país aliado.
“Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba — zero! Sugiro fortemente que eles façam um acordo, antes que seja tarde demais. Cuba viveu, por muitos anos, com grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela”, escreveu o presidente nas redes sociais.
Na terça (27), o governo chinês condenou as ameaças de sanções à ilha pelos Estados Unidos, denunciando a violação do direito internacional e a tentativa de subverter a soberania do país. A China também se posicionou com preocupação por possível ampliação dos bloqueios e retificou seu apoio a Cuba.
Ataques estadunidenses
O presidente Trump assinou nesta quinta-feira (29) uma ordem executiva na qual declara uma “emergência nacional”, argumentando que Cuba representaria uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos.
A medida impõe novas tarifas a países que “vendam ou, de qualquer outra forma, forneçam petróleo a Cuba”, com o objetivo de aprofundar o estrangulamento energético enfrentado pela ilha, agravado de forma significativa após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela.
“A ordem impõe um novo sistema tarifário que permite aos Estados Unidos aplicar tarifas adicionais às importações de qualquer país que forneça, direta ou indiretamente, petróleo a Cuba”, afirma o documento.
O texto não estabelece tarifas de forma automática, mas autoriza um processo de “avaliação caso a caso”. Para sua implementação, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, fica autorizado a “determinar” se um país vende ou fornece petróleo a Cuba, de forma direta ou por meio de intermediários.
Fonte ==> Brasil de Fato


