A combinação entre governança, posicionamento de serviços médicos especializados e gestão eficiente viabilizou a expansão sustentável de clínicas de saúde em municípios de pequeno porte.
Como modelos assistenciais em dermatologia, estética e pediatria demonstrando o alto desempenho operacional mesmo fora dos grandes centros urbanos.
Durante décadas, a lógica dominante no mercado da saúde foi clara: para crescer, era preciso estar nos grandes centros. São Paulo, Rio de Janeiro e capitais regionais concentravam demanda, poder aquisitivo e oportunidades. Mas a trajetória de uma médica dermatologista e empreendedora brasileira desafia esse paradigma e mostra que, no século XXI, o faturamento deixou de ser uma questão geográfica para se tornar uma questão estratégica.
Formada em Medicina há 15 anos, Antonella Murad com pós-graduação em Dermatologia, Medicina Estética e Tricologia, ela construiu uma carreira sólida na capital paulista. Agenda cheia, estabilidade financeira e reconhecimento profissional eram parte da rotina. O que muitos enxergariam como o ponto máximo da carreira tornou-se, paradoxalmente, o início de uma mudança profunda.
Ao decidir retornar ao interior do país para casar, a médica deixou São Paulo e recomeçou sua atuação em duas cidades com menos de 100 mil habitantes. À primeira vista, a mudança parecia um passo atrás. Na prática, revelou-se uma das decisões mais estratégicas de sua trajetória profissional.
Do consultório à marca
No interior, o desafio era claro: não bastava replicar o modelo tradicional de consultório. Era preciso criar algo maior. Foi nesse contexto que nasceu uma visão empresarial que mudaria o jogo: transformar o atendimento médico em uma marca estruturada, com gestão profissional, posicionamento premium e foco absoluto na experiência do paciente.
O mercado, muitas vezes subestimado fora dos grandes centros, respondeu de forma contundente. Havia demanda reprimida por excelência, inovação e previsibilidade de resultados, desde que esses atributos fossem apresentados com clareza, consistência e autoridade.
Ao investir em processos, liderança de equipe, padronização de entregas e estratégia de marca, a médica construiu um ecossistema de negócios sólido e escalável, capaz de gerar crescimento acelerado e sustentável. O resultado foi a consolidação de uma marca milionária, mesmo atuando em cidades pequenas.
A virada de chave: de médica ocupada a empresária estratégica
Mais do que uma mudança de endereço, a transição exigiu uma mudança de mentalidade. A profissional deixou de operar apenas no modelo de alta ocupação para assumir o papel de estrategista do próprio negócio.
“Foi a passagem do volume para o valor”, resume a lógica por trás da expansão. A agenda cheia deu lugar à visão de longo prazo. O esforço operacional foi substituído por decisões estruturais. O crescimento deixou de depender exclusivamente da presença física da médica e passou a ser sustentado por processos, equipe e posicionamento.
Nesse novo modelo, luxo deixou de ser sinônimo de localização e passou a significar entrega consistente, experiência diferenciada e confiança construída ao longo do tempo.

Liderança feminina e expansão fora do eixo tradicional
Antes dos 40 anos, a médica Antonella Murad consolidou-se como referência não apenas na área de dermatologia e estética, mas também como empreendedora da saúde, desafiando estereótipos e abrindo caminho para um novo olhar sobre o potencial do interior brasileiro.
Ao lado do marido, médico pediatra Kairon Caproni Tavares, que também viu suas empresas crescerem de forma expressiva fora dos grandes centros, o casal demonstra que a descentralização da excelência médica é uma realidade e uma oportunidade estratégica para profissionais que enxergam além do óbvio.
Uma lição para o mercado
A história deixa um recado claro para médicos, empreendedores e investidores: o CEP não limita o faturamento. O que define o tamanho de um negócio é a forma como ele é pensado, estruturado e conduzido.
Às vezes, é preciso sair do lugar onde tudo funciona para chegar ao lugar onde tudo cresce.


