Mais um 8 de janeiro chegou, e a data que marca o terceiro “aniversário” da tentativa de golpe às sedes dos Três Poderes em Brasília, em 2023, voltou a ser convocada por movimentos populares, entidades sindicais e partidos de esquerda para uma série de atos em defesa da democracia brasileira e da soberania dos povos latino-americanos.
A data tem forte simbolismo político no Brasil após os episódios de violência política de 2023, que culminou da depredação da sede dos Três Poderes, e os organizadores das mobilizações, entre eles as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, sindicatos e movimentos sociais, buscam desde então, utilizar a data como meio de reafirmar o compromisso com a defesa da democracia, da soberania nacional e da autodeterminação dos povos.
O deputado estadual Missias do MST (PT), destaca que os atos convocados para o 8 de janeiro demonstram que o conjunto da esquerda brasileira segue organizada e vigilante frente à tentativa de golpe realizada pela extrema direita do país. “Para salientar que não esquecemos a tentativa de golpe dos bolsonaristas e os ataques ao patrimônio brasileiro ocorridos em 2023, nas sedes dos Três Poderes”, afirmou o deputado.
A jovem representante da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude no Ceará, Thalita Vaz, destaca que construir um 8 de janeiro de luta tem dois objetivos centrais: prezar pela memória, para que eventos como o 8 de janeiro de 2023 nunca mais aconteçam no Brasil; e o segundo, a recuperação da confiança do povo brasileiro na construção de luta concreta. Vaz afirma ainda que a saída para a crise vivenciada no Brasil e no mundo está nas ruas.

“A crise que eles colocam para nós, que o culpado é sempre aquele que utiliza mais água dentro da sua casa, tem um culpado: a bancada da bala, do boi e da bíblia. A gente sabe que a crise que a gente vive, climática, social e econômica, tem um culpado: os banqueiros, que querem ainda mais lucro em detrimento das nossas vidas”, aponta a coordenadora.
Por fim, Vaz ressalta que o papel principal para os movimentos sociais e organizações políticas em 2026 é de recuperar a confiança do povo brasileiro e da América Latina. “Precisamos construir governos progressistas. Governos que estejam ao lado do povo, mas acima de tudo, que saibam que o lugar de governo progressista é na rua”, encerra.
“Nem no Brasil, nem na Venezuela”
Além dessa pauta, os atos deste 8 de janeiro foram convocados também para expressar solidariedade ao povo venezuelano diante da intervenção dos EUA, no dia 3 de janeiro. Conduzida pelo país norte-americano contra o povo venezuelano, a ofensiva militar desencadeou uma série de repercussões políticas e mobilizações em diversos países na América Latina e no mundo, gerando uma crise diplomática inédita no continente. O episódio envolveu a ação das forças armadas norte-americanas no território venezuelano, que incluiu bombardeios em áreas civis e militares e culminou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores.
No Brasil, movimentos sociais, sindicatos e organizações populares têm se mobilizado e repudiado veementemente a ação estrangeira. Até agora, diversas capitais do país já realizaram atos em defesa do povo venezuelano e da soberania do país. No Ceará, frentes populares programaram uma manifestação em defesa da soberania venezuelana e contra a intervenção estrangeira, reunindo setores políticos e entidades da sociedade civil em solidariedade aos venezuelanos.
Em entrevista ao BdF Ceará, Missias do MST destaca que o desejo de justiça, democracia e soberania no Brasil leva também a expressar solidariedade ao povo venezuelano. E ressaltou ainda ser um absurdo que o imperialismo de Trump queira se afirmar como dono do hemisfério sul, e finalizou destacando que é “contra essas forças da extrema-direita que os movimentos populares se levantam”.
De acordo com o deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), os atos em defesa da democracia brasileira ganharam ainda mais relevância política após a intervenção americana na Venezuela. “Historicamente, os períodos antidemocráticos na América Latina estiveram associados à fragilização da soberania dos países, em prol do interesse imperialista dos Estados Unidos. É fundamental, nesse momento, que o povo se manifeste e vá às ruas, pois, a força da vontade popular é a grande trincheira de resistência da democracia e da soberania”, disse Sampaio.

Já o deputado estadual Renato Roseno (Psol) diz que o ocorrido em 3 de janeiro foi a maior agressão de uma potência imperialista contra a América do Sul. “Independentemente de quaisquer avaliações sobre Maduro, o que aconteceu foi um ataque da maior potência militar do planeta a um país da nossa região que faz fronteira com o Brasil. Essa é uma questão de defesa nacional da maior gravidade. Nunca isso tinha acontecido”, declarou o parlamentar. Por fim, Roseno afirma ainda que ficou evidente o interesse de Trump sobre a Venezuela, o petróleo. “Trump não está preocupado com a democracia nem com o povo venezuelano. Apoiar esse ataque, como faz a direita brasileira, é querer entregar nossas riquezas estratégicas. Pior de tudo, é legitimar a lei do mais forte, violentando todos os pactos de Direito Internacional vigentes desde o século 21.
A convocação do 8 de janeiro deste ano busca ainda posicionar o povo brasileiro contra a anistia e reivindicar o veto do PL da Dosimetria, aprovado no Congresso Nacional no ano passado e que reduz as penas pela tentativa de golpe, beneficiando, inclusive, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Atos em defesa da democracia e em solidariedade ao povo venezuelano, no Ceará:
15h – Praça do Ferreira (Fortaleza)
18h – Praça do Giradouro (Juazeiro do Norte)
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Fonte ==> Brasil de Fato


