5 de fevereiro de 2026

Exposição no Recife reúne artistas em diálogo em torno da arte feita a partir do barro

A exposição O Barro, os Devaneios e a Vontade abre, a partir desta quinta (5), às 19 horas, a programação de 2026 da Christal Galeria, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Ela marca o início das comemorações dos cinco anos do espaço e abre seu programa anual, batizado Mãos da Terra, com a reunião de 14 artistas de diferentes gerações e territórios em uma mostra que atravessa a tradição do Alto do Moura, saberes originários e a arte contemporânea.

A exposição parte do barro não apenas como suporte artístico, mas como um conceito filosófico ampliado, carregado de memória, territorialidade, desejo de transformação e potências políticas e poéticas. O projeto curatorial se debruça sobre múltiplas raízes dessa ideia, conectando práticas da arte popular caruaruense, experiências ligadas a territórios ancestrais e investigações contemporâneas que dialogam com diferentes linguagens e contextos.

A mostra integra as celebrações pelos cinco anos da Christal Galeria, fundada em 2021, e tem curadoria do artista visual Carlos Mélo, que se inspira no livro A terra e os devaneios da vontade, do filósofo francês Gaston Bachelard. A partir dessa referência, o barro é compreendido como experiência imaginante, resultado da negociação constante entre o gesto humano e a resistência da matéria.

Em exposição estão trabalhos que envolvem esculturas em barro, cerâmica e vitrificação, além de murais, pinturas e fotografia. Entre os destaques estão as obras da Mestra Nicinha Otília, discípula do Mestre Galdino e uma das pioneiras na reinvenção das formas da arte do barro do Alto do Moura, e de Ratinho, artista do mesmo território cujas experimentações materiais e formais vêm fortalecendo a presença da tradição caruaruense nos circuitos da arte contemporânea.

Do elenco fixo da galeria participa Izidorio Cavalcanti, com mais de três décadas de trajetória marcada por experimentações entre técnicas e linguagens, com obras presentes em acervos como o Museu Afro Brasil, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães e a Fundação Joaquim Nabuco. 

Entre os nomes mais jovens, estão Tássio Melo, do Cabo de Santo Agostinho, que investiga suportes não convencionais da construção civil em poéticas sobre poder e opressão, e Arbos, cujas imagens dialogam com a cultura popular nordestina e a ficção científica.

Para o curador Carlos Mélo, a exposição amplia o entendimento de terra para além do barro literal, incorporando pigmentos, fibras, objetos naturais, gestos performáticos, políticas territoriais e imaginários ancestrais como manifestações da imaginação material. Já a fundadora da galeria, Christiana Asfora, destaca que o projeto reafirma a defesa de uma arte que valoriza saberes tradicionais, fortalece vozes negras e indígenas e compreende a criação como gesto de cuidado, resistência e reinvenção.

Completam o conjunto de artistas Ana Kesselring, Rafael Chavez, Allan Silva, Toni Granton, Beca Chang, Paulo Meira, Edson Barrus Atikum, Lucas Cardoso, Karlla Girotto e Helder Ferrer. As obras estarão disponíveis para comercialização. O Barro, os Devaneios e a Vontade segue em cartaz até 30 de abril, com oficinas e visitas mediadas, e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.



Fonte ==> Brasil de Fato

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