A Jornada percorre todas as regiões do Brasil com o objetivo de ouvir o setor produtivo, identificar desafios e oportunidades e construir soluções inovadoras relacionadas às transições digital e ecológica, além de contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e instrumentos de apoio à inovação. Sorocaba foi a primeira cidade do Estado de São Paulo a receber a edição paulista da iniciativa, reforçando sua posição estratégica no cenário industrial e tecnológico.
Abertura reforça protagonismo regional e papel das instituições
A abertura oficial contou com a presença de autoridades e lideranças do setor produtivo. O diretor das unidades do SENAI Sorocaba, Fabio Rocha, destacou a relevância da instituição na formação profissional e no apoio à inovação industrial. Segundo ele, o SENAI-SP registrou cerca de 1 milhão de matrículas em 2024, além de mais de 20 mil atendimentos em inovação e tecnologia em todo o estado. Na região de Sorocaba, foram mais de 31 mil matrículas e mais de mil atendimentos voltados a micro e pequenas empresas, reforçando o papel da cidade na empregabilidade e no desenvolvimento econômico.
Representando o CIESP estadual, o 3º vice-presidente Erli Syllos ressaltou os desafios enfrentados pela indústria brasileira diante das transformações tecnológicas, da competitividade internacional e das mudanças no comércio global, destacando a importância da inovação como fator de sobrevivência e crescimento das empresas.
Encerrando os pronunciamentos, o superintendente de Inovação da CNI, Carlos Bork, apresentou a Jornada Nacional de Inovação da Indústria como parte de um amplo movimento de escuta do setor produtivo em todo o país, cujas contribuições irão se conectar ao 11º Congresso de Inovação da Indústria previsto para março.
Transformação digital, inteligência artificial e pessoas dominam o principal debate do dia
Considerado o painel mais aguardado da programação, “Desafios e oportunidades da transformação digital em São Paulo” concentrou as principais discussões da manhã do evento. Moderado por Carlos Bork, superintendente de Inovação da CNI, o encontro reuniu Otacílio do Nascimento, gerente de Comunicação da Toyota do Brasil; Afonso Teixeira, diretor da Clesse do Brasil; e Vitor Vecina, CEO da Apollo Solutions.
Ao longo do debate, os participantes ressaltaram a necessidade de acelerar processos, democratizar o acesso às tecnologias e incorporar a inovação de forma estratégica aos negócios. Para Carlos Bork, a transformação digital deixou de ser uma escolha e passou a ser uma condição para a competitividade industrial.
“Hoje, a inovação deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição para competir. A indústria precisa usar a transformação digital não apenas para ganhar eficiência, mas para tomar decisões melhores, baseadas em dados, e se posicionar de forma mais sustentável no mercado”, destacou.

O painel percorreu temas que vão da digitalização do chão de fábrica aos impactos da inteligência artificial (IA) na produtividade, na tomada de decisão, na cultura organizacional e no desenvolvimento de pessoas. Os painelistas foram unânimes ao afirmar que a IA já é uma realidade estratégica para a indústria, mas que seu uso exige capacitação contínua, responsabilidade e alinhamento aos objetivos do negócio.
Durante o encontro, a Toyota do Brasil anunciou a intenção de implantar um Centro de Desenvolvimento e Tecnologia em Sorocaba. A iniciativa, ainda não lançada oficialmente, foi mencionada de forma preliminar e deverá ser apresentada formalmente pela empresa em breve. A proposta é que o centro atue como hub de pesquisa e inovação para o Brasil e a América Latina, com foco em descarbonização e desenvolvimento tecnológico no contexto do sul global.
A participação do público ampliou o debate para questões como o uso da IA por trabalhadores do chão de fábrica, a importância das soft skills, saúde mental, conflitos geracionais, ética no uso de dados e a necessidade de regulamentação da inteligência artificial. Ao final, houve consenso de que o avanço tecnológico só é sustentável quando caminha junto com pessoas, cultura organizacional e educação continuada.
Transição ecológica e economia circular entram em pauta com foco em escala e políticas públicas
O segundo painel da manhã foi dedicado aos desafios e oportunidades da transição ecológica, com foco na economia circular, na gestão de resíduos e no papel do poder público como indutor de mudanças. O debate destacou que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser um fator de competitividade para a indústria.
Entre os temas abordados estiveram a necessidade de integração regional na gestão de resíduos sólidos, a importância de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis e a criação de modelos que deem escala às iniciativas de economia circular. Exemplos de projetos regionais, consórcios intermunicipais e parcerias entre indústria, startups e instituições foram citados como caminhos para reduzir custos, otimizar a logística e ampliar o reaproveitamento de materiais.
Workshops ampliam acesso ao fomento e à gestão da inovação
No período da tarde, a Jornada seguiu com workshops simultâneos, voltados ao acesso a recursos financeiros para inovar e à gestão da inovação nas empresas. As atividades proporcionaram aprofundamento prático sobre estruturação de projetos, captação de recursos, processos de inovação, inteligência de dados, propriedade intelectual e integração da inovação à estratégia empresarial.
Fonte ==> Sebrae


