Lula 3.0 tem problema de comunicação que se chama Lula – 04/04/2026 – Elio Gaspari

Homem de terno escuro e gravata rosa segura microfone e gesticula com a mão direita em frente a uma cortina marrom. Bandeira do Brasil está parcialmente visível ao fundo à direita.

Em geral, quando um governo diz que tem um problema de comunicação, o problema está no governo, não na comunicação. Lula 3.0, no entanto, tem um problema de comunicação, e ele se chama Lula. O presidente ocupa os espaços do governo com uma agenda repetitiva e arcaica.

Esse sistema malvado fritou o ministro Paulo Pimenta e mostrou a frigideira a Sidônio Palmeira, seu substituto.

Tome-se como exemplo a ida de Lula ao Ceará. No palanque, com um boné do ITA, Lula falou por 27 minutos, tratou de suas realizações na educação, louvou suas greves, o ministro Camilo Santana e a militância política. Maltratou a “elite brasileira” e “os banqueiros da Faria Lima”. Fora dele, tratou do mandato de oito anos dos senadores, da sucessão no governo daquele estado, chamou o ex-governador Ciro Gomes de “destemperado”.

Tudo bem, mas o que Lula foi fazer no Ceará? Ele inaugurou a primeira etapa do campus do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA.

Trata-se de uma das principais iniciativas do Lula 3.0. O ITA, com seu campus de São José do Campos, é uma joia da coroa do ensino superior público. Fundado em 1950 pelo brigadeiro visionário Casimiro Montenegro, formou milhares de engenheiros e gerou um polo industrial onde reluz a Embraer. A criação do campus de Fortaleza é um poço de virtudes, revela investimento em tecnologia, na educação pública de qualidade e na valorização do Nordeste. Lula tratou do ITA perfunctoriamente.

Seu tema era outro. “Por que esse Lula fica colocando R$ 18 bilhões para filho de pobre ir à escola se podia estar no banco rendendo para a gente ficar mais rico? Governar um país e fazer uma ponte é fácil. Governar para 30% do país é fácil. O desafio é escolher entre a ponte e um prato de comida, entre a ponte e uma escola, entre a ponte e uma creche. O país precisa dos dois. Mas você precisa definir que o ser humano é prioritário”, disse o mandatário.

Nada contra, o velho pode ser bom, mas não deixa de ser velho. O ITA e seu campus no Ceará mereciam mais que um boné e uma generalização repetitiva. Lula perdeu uma oportunidade de falar bem de seu governo mostrando o que a expansão do ITA significa para a educação, a tecnologia e o próprio mundo dos negócios.

Lula é um grande comunicador e confia nos seus improvisos. Disso resulta que suas falas ganham destaque, mesmo quando são repetitivas e anacrônicas.

Antes da ida de Lula ao Ceará, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, havia dado um puxão de orelhas (a pedido do presidente) no ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira.

Nas suas palavras: “Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”.

Os eleitores não digerem estatísticas, e as falas do líder atropelam as realizações. Por algum motivo, os ministros evitam ocupar um espaço que pode ser deles. Falar dos oito anos de mandato dos senadores nada tem a ver com o campus do ITA. Isso num governo que tem um Ministério da Tecnologia e Inovação. Ganha um fim de semana em Teerã quem souber o nome do titular. (É Luciana Santos.)

Falta de sorte

Quando disputava a Presidência contra candidatos tucanos, Lula foi bafejado pela sorte. Em anos eleitorais, o governo teve que aumentar o preço dos combustíveis.

Agora essa maldição caiu no seu colo.

Flávio se move

Flávio Bolsonaro não é um candidato que joga parado. Ele se mexe, nos Estados Unidos, pregando para pessoas que pensam como ele.

Seu pai fazia campanha até em aeroporto.



Fonte ==> Folha SP

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