O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, questionou nesta quarta-feira (2) as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos contra 185 países. Segundo o mandatário venezuelano, a Casa Branca impõe uma guerra econômica contra o mundo e reproduz o que faz com a Venezuela com outras nações.
Ele fez a declaração em cadeia nacional e vinculou as tarifas impostas pela Casa Branca à oposição venezuelana. Segundo o mandatário, a ultraliberal Maria Corina Machado e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, articulam ações para atacar a Venezuela. De acordo com Maduro, ainda assim o país conseguiu crescer com a arrecadação tributária.
“Estamos diante da guerra econômica que os EUA estão declarando ao mundo e tentando prejudicar a Venezuela a mando de María Corina Machado e por ordem de seu cafetão Marco Rubio, mas no primeiro trimestre o crescimento se traduziu em aumento da arrecadação tributária, convertida em projetos de obras públicas”, disse.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta as tarifas que serão impostas aos países. Segundo ele, o cálculo para definir quanto cada países receberá em impostos será de metade das taxas cobradas por estes próprios países aos produtos importados dos Estados Unidos.
Os produtos venezuelanos, por exemplo, receberão uma taxa de 15%. A tarifa ficou abaixo daquilo que será cobrado por produtos chineses (34%) e da União Europeia (20%), mas ficou acima das taxas para produtos brasileiros (10%). Maduro questionou o que a Casa Branca fará com essas taxas. De acordo com ele, o país conseguiu se recuperar de uma crise econômica com a cobrança de impostos e o dinheiro dessas tarifas foram destinados para programas sociais.
“Para onde vai o dinheiro dos impostos? Aqui se tornou assistência médica, educação, indexação e é a próxima melhoria na renda integral dos trabalhadores. O que fazemos é trabalhar, e toda a recuperação econômica que alcançamos ao longo dos anos, por meio de nossos próprios esforços, nossa própria iniciativa, nossas próprias mentes, nossos próprios planos, toda essa recuperação é transformada em investimento”, afirmou.
Deportações no radar
Maduro também falou sobre a decisão de um juiz estadunidense de bloquear a medida de Trump de acabar com o Status de Proteção Temporária (TPS) para 350 mil venezuelanos que vivem nos EUA. O republicano havia anunciado em janeiro o fim da medida que garantia que os migrantes venezuelanos poderiam morar e trabalhar no país até outubro de 2026.
A decisão foi revertida pelo juiz federal Edward Chen nesta semana, afirmando que poderia causar danos irreparáveis à centenas de milhares de pessoas “cujas vidas, famílias e meios de subsistência serão severamente afetados, custando aos Estados Unidos bilhões em atividade econômica e prejudicando a saúde e a segurança públicas em comunidades por todo o país”.
O presidente venezuelano comemorou o anúncio do juiz e disse que isso é um avanço dentro das diversas violações de direitos humanos a que os deportados estão sendo submetidos.
“Eles estão causando um grande mal para pessoas inocentes, para pessoas humildes, para pessoas trabalhadoras. É por isso que celebro que este juiz tenha saído para defender o sistema de justiça americano, que atualmente está sob intenso escrutínio global pela forma bárbara com que os direitos dos migrantes estão sendo violados”, disse.
Ainda conforme o juiz, a Casa Branca não apresentou argumentos concretos para a derrubada do TPS, explicando que a medida causou danos à economia e à sociedade estadunidense.
Desde que assumiu o governo dos Estados Unidos, Trump começou a cumprir a sua política de deportação massiva de latino-americanos. Foram mais de 10 mil deportados desde 20 de janeiro. Só venezuelanos foram 918 que chegaram a Caracas vindos dos Estados Unidos. Outros 553 voltaram do México, mas o governo venezuelano não explicou se eles viviam nos EUA.
Um outro grupo de 238 venezuelanos foi levado dos Estados Unidos para El Salvador. Eles são acusados pela Casa Branca de fazer parte do grupo criminosos Trem de Aragua. Com isso, os denunciados foram levados à prisão de segurança máxima conhecida como Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot).
Fonte ==> Brasil de Fato