17 de fevereiro de 2026

Novo padrão regulatório internacional coloca operações brasileiras sob monitoramento de mais de 100 países

Ampliação da transparência fiscal global aumenta exigências de governança para empresas com ativos no exterior

O Brasil, um dos maiores mercados digitais do mundo, passa a operar sob um novo nível de escrutínio internacional. Integrado às principais redes globais de fiscalização e troca automática de informações, o país enfrenta um cenário em que operações mantidas no exterior ganham visibilidade ampliada, com impacto direto sobre governança, risco e posicionamento internacional das empresas.

O estoque de investimentos brasileiros no exterior alcançou US$ 491,4 bilhões em 2023, segundo o dado mais recente consolidado pelo Banco Central. Paralelamente, a Receita Federal intensifica o monitoramento de ativos e movimentações internacionais. Apenas a stablecoin Tether (USDT) movimentou mais de R$ 271 bilhões entre 2019 e 2023, conforme dados do próprio Fisco, volume que, à luz das novas normas, passa a ter implicações relevantes para empresas e investidores.

Segundo Giselle Amorim, CEO da Amorim Global, o impacto vai além do campo tributário.

“O CARF elimina a assimetria de informação que antes permitia tratar estruturas internacionais como temas isolados. Hoje, uma inconsistência declarada em um país pode ser identificada por dezenas de outros. O risco deixa de ser apenas fiscal e passa a envolver governança e reputação global.”

Giselle Amorim, CEO da Amorim Global

Do risco tributário ao risco reputacional

A mudança está diretamente relacionada à consolidação de padrões internacionais de troca automática de informações, como o Common Reporting Standard (CRS), que intensifica o compartilhamento de dados entre administrações tributárias.

Para Giselle, muitas estruturas internacionais atualmente em funcionamento foram desenhadas em um contexto anterior a esse nível de transparência.

“As estruturas foram concebidas antes do CRS e do fortalecimento do CARF, quando a troca automática de dados não existia. Hoje, esse descompasso pode gerar ruídos em auditorias, processos de M&A, relacionamento com fundos internacionais e análises de crédito.”

O alerta não é apenas jurídico, é estratégico.

Prazo curto para adaptação

De acordo com a especialista, o fator tempo se tornou decisivo. A consolidação das novas regras está prevista para julho de 2026, prazo considerado curto diante da complexidade das reestruturações necessárias.

“Investidores e instituições financeiras já operam sob padrões elevados de verificação. Qualquer desalinhamento entre o que é declarado no Brasil e o que é reportado internacionalmente acende alertas imediatos.”

Nesse novo ambiente regulatório, inconsistências deixam de ser tratadas como falhas pontuais e passam a impactar avaliações globais de risco.

Governança como ativo competitivo

Para Giselle Amorim, o novo conjunto de normas inaugura um patamar inédito de governança para grupos empresariais brasileiros com presença internacional.

“O debate não deve se limitar às autuações, embora o risco fiscal seja relevante. O foco precisa envolver os efeitos estruturais dessas mudanças. Consistência, previsibilidade e transparência já não são diferenciais, são pré-requisitos competitivos.”

Nesse contexto, estratégia, planejamento e suporte técnico especializado deixam de ser acessórios e passam a integrar os ativos essenciais que sustentam operações internacionais sólidas.

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *