O guitarrista e compositor pernambucano Lello Bezerra apresenta ao público Matéria e Memória, seu segundo álbum autoral, que chega às plataformas digitais nesta sexta (27). O trabalho aprofunda a pesquisa estética do artista ao unir canção, experimentação eletrônica e referências da cultura popular nordestina em uma narrativa atravessada por deslocamento, identidade e lembrança.
Concebido a partir de memórias pessoais, o disco se constrói como um retrato de um corpo periférico do interior de Pernambuco que se move pelo mundo e passa a ocupar o lugar do estrangeiro. A noção de travessia aparece tanto nos temas quanto na sonoridade, que dialoga com a ideia de retirada e reinvenção presente na história cultural do Nordeste. A direção artística é assinada pela multiartista Juuar.
Ao longo de 14 faixas autorais, Lello combina ritmos e linguagens tradicionais do estado com um olhar contemporâneo. Bandas de pífano, manguebeat, cavalo marinho, brega e gospel surgem reprocessados ao lado de referências como grunge, cumbia rebaixada, industrial e música de montagem. O resultado é um multigênero pop que parte das periferias nordestinas para criar uma paisagem sonora híbrida e imersiva.
A guitarra segue como eixo central da obra, explorada por meio de pedais de efeito manipulados, ampliam o diálogo entre matéria e memória. As canções abordam temas como território, urbanidade e pertencimento, propondo uma escuta que valoriza o ancestral sem abrir mão da invenção e do tempo presente.
Com trajetória marcada por colaborações diversas e reconhecimento da crítica, Lello Bezerra consolidou seu nome na cena contemporânea brasileira desde o álbum de estreia, Desde Até Então, eleito um dos melhores discos de 2019 por instituições como a APCA. Em Matéria e Memória, ele amplia essa pesquisa e reafirma sua assinatura artística, apostando em novas formas de pensar a música pernambucana no século 21.
O álbum ganha apresentação ao vivo em um show de lançamento no dia 1º de março, às 18h, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, com participação especial de Jorge Du Peixe.
Fonte ==> Brasil de Fato


