No Brasil, muitas empresas não desaparecem por falta de mercado — desaparecem quando a sucessão familiar vira conflito.
No episódio exibido em 6 de março do programa Poder e Negócios, apresentado por Tucco, a conversa saiu do campo tradicional do direito empresarial e entrou em um tema que muitos empresários preferem evitar: sucessão patrimonial.
O convidado foi Hygoor Jorge, advogado especializado em holding familiar e planejamento patrimonial e sucessório, área que atua justamente no ponto onde patrimônio, poder e família se cruzam.
A pergunta central da entrevista foi direta: quem assume o comando quando o fundador sai de cena?
Segundo o advogado, um dos maiores problemas das empresas familiares no Brasil não está no mercado ou na economia, mas na ausência de planejamento para a sucessão. Empresários dedicam décadas à construção de patrimônio, mas frequentemente evitam discutir como ele será administrado no futuro.
Durante a conversa no Poder e Negócios, Hygoor destacou que a falta de organização sucessória costuma gerar conflitos que vão além do campo jurídico. Disputas familiares, divergências de visão entre herdeiros e dificuldades de governança podem comprometer empresas que levaram anos para serem construídas.
Nesse contexto, estruturas como holdings familiares surgem como instrumentos de organização patrimonial. Mas o advogado fez uma ressalva importante: a ferramenta, por si só, não resolve problemas de relacionamento ou governança.
Quando mal estruturada, uma holding pode se tornar apenas uma formalidade jurídica sem impacto real na gestão familiar.
Outro ponto abordado foi a tendência crescente de empresários buscarem soluções rápidas para planejamento sucessório. Segundo Hygoor, a popularização de conteúdos jurídicos na internet tem levado muitas famílias a replicarem modelos prontos sem considerar as particularidades de cada patrimônio e de cada estrutura familiar.
Esse tipo de abordagem pode gerar riscos significativos no futuro.
A entrevista também abordou um aspecto mais sensível: a dificuldade emocional de muitos fundadores em discutir sucessão. Para Hygoor, o tema envolve mais do que estratégia patrimonial. Envolve identidade, controle e legado.
A resistência em tratar do assunto, muitas vezes, faz com que decisões importantes sejam adiadas até que conflitos já estejam instalados.
O episódio também trouxe reflexões sobre governança familiar no Brasil e sobre a mudança de mentalidade entre gerações. Em muitos casos, herdeiros não desejam necessariamente assumir o comando operacional das empresas, mas sim garantir liquidez ou participação estratégica no patrimônio familiar.
Esse novo perfil exige estruturas jurídicas e de governança mais sofisticadas.
Ao final da entrevista, ficou evidente que planejamento sucessório não é apenas uma questão jurídica. É uma decisão estratégica que define o futuro de empresas e famílias.
No Poder e Negócios, a conversa reforçou um ponto essencial: patrimônio pode levar décadas para ser construído, mas conflitos mal resolvidos podem destruí-lo rapidamente.
A entrevista completa pode ser assistida no episódio do programa Poder e Negócios exibido em 6 de março.


