O início de um novo ano costuma vir acompanhado de metas ambiciosas, agendas mais cheias e uma expectativa crescente por alta performance. No entanto, o que muitos profissionais têm vivenciado é o oposto: queda de foco, fadiga mental precoce e dificuldade em sustentar decisões ao longo do dia.
Esse cenário não está necessariamente ligado à falta de disciplina ou preparo técnico. Para especialistas em comportamento e performance humana, o problema é mais profundo e estrutural.
Para Anna Maoli, treinadora frequencial e especialista em reorganização interna para alta performance, a prevenção do burnout começa muito antes do esgotamento visível.
“Na maioria dos casos, o que leva à perda de foco e ao desgaste não é o excesso de trabalho em si, mas um sistema interno constantemente desregulado”, explica.
O inimigo invisível da produtividade
A queda de produtividade costuma ser atribuída ao volume de tarefas ou à má gestão do tempo. No entanto, segundo Anna, o principal fator por trás da dispersão e da dificuldade de decisão é um sistema nervoso operando em estado contínuo de alerta.
“Quando o corpo permanece em vigilância constante, a mente passa a antecipar problemas, as emoções se acumulam sem processamento adequado e as decisões se tornam reativas”, afirma. Nesse estado, a atenção se fragmenta e nenhuma ferramenta de produtividade consegue compensar a desorganização interna.
Autocuidado como estratégia, não como pausa
Durante anos, autocuidado foi tratado como algo periférico, associado a descanso eventual ou lazer. Essa visão, porém, não acompanha mais a realidade do mundo corporativo atual.
Para Anna Maoli, autocuidado deixou de ser um luxo e passou a ser uma estratégia direta de foco e clareza mental.
“Não se trata de reduzir ambição ou desacelerar resultados, mas de reorganizar o estado interno a partir do qual a performance acontece”, pontua.
Rotinas simples, como pausas reais ao longo do dia, práticas de consciência corporal e momentos de regulação emocional, ajudam a devolver algo cada vez mais raro no ambiente profissional: presença.
Burnout é um processo silencioso
Outro ponto destacado pela especialista é que o burnout raramente surge de forma abrupta. Ele se constrói ao longo de meses ou anos, quando o corpo continua produzindo mesmo diante de sinais claros de exaustão.
“A pessoa até pode parar fisicamente, mas o sistema continua em alerta. Por isso, a recuperação real não acontece apenas com férias ou afastamentos, mas com a integração de rotinas consistentes de autocuidado ao dia a dia profissional”, explica Anna.
Uma nova lógica de alta performance
Empresas e líderes que compreendem essa mudança de paradigma tendem a construir ambientes mais sustentáveis e eficientes. Profissionais com maior coerência interna tomam decisões mais claras, lidam melhor com pressão e mantêm desempenho sem comprometer a saúde.
Nesse novo cenário, o autocuidado deixa de ser visto como tempo fora da produtividade.
Ele passa a ser reconhecido como a base que sustenta foco, clareza e performance de longo prazo.


