29 de janeiro de 2026

TMCs Abracorp faturam R$ 13,7 bi em 2025 e preveem R$ 14 bi em 2026; veja análises

Siderley Santos, presidente do Conselho da Abracorp, e Douglas Camargo, diretor executivo da entidade, responsável pelas principais agências de viagens corporativas (TMCs) do Brasil

PANROTAS / Emerson Souza

Siderley Santos, presidente do Conselho da Abracorp, e Douglas Camargo, diretor executivo da entidade, responsável pelas principais agências de viagens corporativas (TMCs) do Brasil

As agências de viagens corporativas associadas à Abracorp registraram um faturamento de R$ 13,68 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 0,77% sobre o resultado de 2024 e um novo recorde para o setor. Os dados, divulgados hoje (28) mostram, segundo a associação das TMCs, a consolidação da retomada pós-pandemia e apontam para uma perspectiva de estabilidade e crescimento moderado para 2026, com projeção de alcançar R$ 14 bilhões.

De acordo com a série histórica da Abracorp, os números mostram a dimensão da recuperação do mercado:

  • 2019: R$ 11,39 bilhões
  • 2020: R$ 3,71 bilhões
  • 2021: R$ 4,37 bilhões
  • 2022: R$ 11,20 bilhões
  • 2023: R$ 13,50 bilhões
  • 2024: R$ 13,58 bilhões
  • 2025: R$ 13,68 bilhões (recorde)

Balanço dos segmentos Abracorp 2025

Na tabela a seguir, veja como foi o faturamento de cada segmento junto às TMCs da Abracorp:

Destaques mencionados pela Abracorp:

  • O setor aéreo continua sendo o principal produto das viagens corporativas, respondendo por 57,5% do faturamento total em 2025, com R$ 7,87 bilhões. Contudo, o segmento apresentou uma retração de 3,42% em relação a 2024.
  • A hotelaria cresceu 6,4%, alcançando R$ 4,24 bilhões e uma participação de 31% no total. Accor e Atlantica são mencionadas por Siderley Santos como os destaques neste segmento.
  • Na Locação de Veículos, que teve um recuo geral de 1,35%, a Movida se destacou. “A Movida foi a única locadora que cresceu dentro da Abracorp, justamente por esse trabalho de estar próximo dos associados”, comentou Siderley.
  • A Abracorp também anunciou a entrada de um novo membro em janeiro, a Trade Turismo, de Uberlândia (MG), totalizando agora 24 associadas.

PANROTAS / Emerson Souza

Siderley Santos, presidente do Conselho da Abracorp

Siderley Santos, presidente do Conselho da Abracorp

Investimento alto em tecnologia

“O investimento que foi feito em 2025 pelas associadas Abracorp é de mais de R$ 1,5 bilhão. É um valor que obviamente vai ser refletido em serviço aos clientes e também na própria agência para otimização de processos e ganho de escala”, previu Camargo. Dois terços deste valor é dedicado a tecnologia, enquanto o restante é destinado à capacitação de profissionais.

Perspectivas e desafios para 2026

Para 2026, a expectativa é de um crescimento entre 1% e 2%. Com bastante otimismo, dá para chegar a 3%. “Por conta de tudo que vai acontecer em 2026, estamos imaginando crescer um, dois, ou até 3%, e já será um bom índice. Vamos passar dos R$ 14 bilhões em faturamento”, afirmou Siderley Santos.

No entanto, o ano apresenta um desafio peculiar, como aponta o diretor executivo. “A demanda de viagens corporativas está diretamente ligada à quantidade de dias úteis. E 2026 vai ser o ano com a menor quantidade de dias úteis dos últimos 30 anos”, explicou Douglas Camargo. Fatores como feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições devem impactar o calendário de negócios.

PANROTAS / Emerson Souza

Douglas Camargo, diretor executivo da Abracorp

Douglas Camargo, diretor executivo da Abracorp

Além disso, no médio prazo, o mercado de viagens corporativas enfrenta um cenário estrutural cada vez mais complexo, marcado por desafios financeiros, geopolíticos e tecnológicos. “As empresas precisam equilibrar o controle rigoroso de custos. Esse contexto exige uma gestão mais estratégica, orientada por dados, flexibilidade e capacidade de adaptação a um ambiente global volátil”, avalia Camargo.

Segundo ele, entre os principais pontos de atenção está a pressão de custos e a volatilidade orçamentária. Os preços flutuantes de passagens aéreas, hospedagem e serviços relacionados dificultam o planejamento financeiro e tornam essencial um controle mais rigoroso do orçamento, além de melhores ferramentas de previsão de despesas. A necessidade de revisar gastos e justificar investimentos em viagens permanece como uma preocupação central para gestores e líderes financeiros.

Diversificação de receitas das viagens corporativas

Segmentos de menor peso relativo apresentaram crescimento expressivo no período:

  • As operações de Cruzeiros corporativos avançaram 44,97%, enquanto os serviços de Transfer cresceram 25,36% e o transporte Rodoviário teve alta de 14,89%.
  • Já os Demais Serviços, que reúnem produtos complementares às viagens de negócios, somaram R$ 893,35 milhões, com expansão de 17,13%, respondendo por 6,53% do faturamento consolidado.
  • Outros segmentos tiveram retração. A Locação de Veículos recuou 1,35%, totalizando R$ 374,7 milhões, enquanto os Pacotes de Viagens/Lazer caíram 13,37%, para R$ 142,1 milhões.
  • O transporte Ferroviário e os serviços de Vistos e Documentos também encerraram o período em baixa, com reduções de 23,43% e 18,75%, respectivamente.

“Os resultados refletem uma maior racionalização das viagens de negócios, com empresas priorizando deslocamentos essenciais e ampliando o uso de serviços de hospedagem e soluções complementares. O movimento mantém o faturamento em patamar elevado e reforça a tendência de diversificação das fontes de receita no segmento”, conclui Camargo.



Fonte ==> Panrotas

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