Em Pequim, a música brasileira ocupou o centro de um recital do pianista brasileiro Cristian Budu, realizado no marco do Ano da Cultura Brasil–China 2026. A iniciativa integra um programa de cooperação cultural acordado em 2024 entre os governos de Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontros bilaterais no contexto da Cúpula do G20 no Rio de Janeiro e da agenda oficial em Brasília.
O programa prevê ao longo de 2026 uma série de atividades culturais entre os dois países, com circulação de artistas, concertos, exposições e ações formativas em diferentes cidades brasileiras e chinesas. A programação é coordenada por instituições culturais e diplomáticas de ambos os lados, no âmbito dos ministérios das Relações Exteriores e da Cultura do Brasil e da China, além de embaixadas e entidades culturais parceiras. A iniciativa reforça a presença da cultura como um dos eixos da relação bilateral.
O recital foi realizado na Sala de Concertos da Cidade Proibida, localizada dentro do parque Zhongshan, em uma das áreas centrais da capital chinesa, ao lado do complexo histórico imperial, conhecido por seus jardins sazonais, que na primavera recebem exposições de flores como tulipas.
O espaço onde hoje se encontra o parque tem origem na dinastia Ming, no século XV, quando a região era usada para rituais imperiais ligados à agricultura e ao poder político. Com o fim da monarquia no início do século XX, passou a ser área pública. Em 1928, recebeu o nome atual em homenagem a Sun Yat-sen.
Hoje, o local combina patrimônio histórico e programação cultural contemporânea e abriga uma sala de concertos com cerca de 1.400 lugares.
Música brasileira e a construção de pontes culturais na China
O programa do recital colocou a música brasileira em diálogo com o repertório europeu, com obras como a Valsa de Esquina, de Francisco Mignone, e peças associadas à obra de Heitor Villa-Lobos.
A passagem de Budu pela China incluiu apresentações em Pequim e Xangai, além de visitas a cidades como Guangzhou e Chengdu. Para o pianista, a experiência vai além da performance musical.
“É importantíssimo pensar na arte como um veículo que aproxima culturas e países”, afirmou.
Ele disse ainda que a circulação cultural ajuda a reduzir distâncias que não são apenas geográficas. “Vejo isso como uma iniciativa muito importante.”
Durante a estadia, destacou percepções de proximidade com o público chinês. “Vi muitas similaridades…o calor humano, a curiosidade e a abertura me chamaram atenção.”
“De certa forma, senti um parentesco.”
Em Xangai, Budu realizou um recital solo e participou de atividades formativas voltadas ao repertório brasileiro, incluindo uma masterclass e uma oficina. Segundo ele, o público contou com forte presença de jovens.
“Foi uma oficina onde toquei só música brasileira e falei sobre esse repertório”, afirmou.
Natural do ABC paulista, o pianista iniciou sua formação em São Paulo e consolidou carreira internacional após estudos em Boston e premiações na Europa. Em Pequim, apresentou obras de Schumann e Chopin, mas manteve a música brasileira como eixo constante.
“Coloquei Villa-Lobos no programa e, sempre que há bis, toco música brasileira”, afirmou.
O Ano da Cultura Brasil–China 2026 se desenrola em meio à ampliação das relações culturais entre os dois países, com circulação de artistas e iniciativas em diferentes áreas.
No caso de Cristian Budu, essa circulação aparece de forma direta: no palco, na sala de aula e no contato com o público.
Cultura brasileira na China
O Ano da Cultura Brasil–China 2026 reúne uma programação extensa, distribuída ao longo do ano, com atividades em diferentes cidades dos dois países. No campo das artes visuais, estão previstas exposições dedicadas a nomes como Cândido Portinari, além de mostras de arte contemporânea e intercâmbios entre museus e instituições culturais. Na literatura, estão previstos lançamentos e traduções de obras brasileiras para o mandarim, incluindo títulos de autores como Darcy Ribeiro, além de seminários acadêmicos e encontros entre universidades.
Na música e nas artes cênicas, a programação inclui concertos, turnês de artistas brasileiros na China e apresentações conjuntas com músicos chineses, além de residências artísticas e atividades de formação. A coordenação das ações envolve instituições culturais e diplomáticas de ambos os países, incluindo o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Cultura do Brasil, em parceria com o Ministério da Cultura e Turismo da China, além de embaixadas, centros culturais e instituições acadêmicas. A iniciativa busca ampliar os intercâmbios culturais e fortalecer a cooperação bilateral ao longo de 2026.
Fonte ==> Brasil de Fato


