A central sindical Conlutas criticou a decisão da Polícia Militar de São Paulo de vetar atos do 1º de Maio na avenida Paulista e liberar o local para grupos bolsonaristas. Em nota, a entidade manifestou repúdio à decisão, classificada como “arbitrária”, e afirmou que houve violação do direito dos trabalhadores de se manifestarem na data.
Dirigente da central, Luiz Carlos Prates, conhecido como Mancha, afirma que a medida desconsidera o sentido político da data ao favorecer setores sem ligação com a pauta histórica do 1º de Maio. “Eles desrespeitam o direito do trabalhador e dos sindicatos, porque fundamentalmente o dia 1º de Maio é o dia dos sindicatos, é o dia das centrais sindicais, é dia dos movimentos sociais e das organizações que reivindicam as raízes e a tradição do 1º de Maio”, argumenta.
Segundo comunicado divulgado pela CSP-Conlutas, o ato estava previsto para ocorrer em frente ao MASP, como no ano anterior, e teve solicitação formal enviada em 23 de março à PM e à Secretaria de Segurança Pública. A negativa, no entanto, foi comunicada apenas nesta sexta-feira (24), durante reunião técnica.
“Fomos avisados de que não poderemos realizar a manifestação na avenida Paulista, pois o espaço estaria reservado para outros grupos, vale destacar, em sua maioria de extrema direita”, afirma a entidade.
A central classifica a decisão como “arbitrária” e denuncia violação do direito de manifestação. “Não aceitamos essa violação ao direito dos trabalhadores de se manifestarem prioritariamente neste dia”, diz o texto, que também cobra respeito ao caráter histórico do 1º de Maio como data internacional de luta da classe trabalhadora.
Em nota à imprensa, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que a definição sobre a realização de atos leva em conta critérios como ordem pública, segurança e pedidos previamente registrados para uso do local. Segundo a corporação, a decisão seguiu protocolos operacionais e considerou a existência de solicitações anteriores para a mesma data e região.
Prates critica a justificativa apresentada pela PM. “Nós mandamos o pedido de autorização formal há mais de dois meses, não nos foi feita nenhuma negativa e, agora, nesta reunião, eles disseram que tinha um outro pedido. E olha só o absurdo: o pedido era de maio do ano passado, segundo eles”, diz Prates.
Para o dirigente, a decisão favorece setores que não representam as pautas históricas da data. “São grupos inexpressivos e bolsonaristas de extrema direita que têm reivindicações alheias às tradições do 1º de Maio e às reivindicações dos trabalhadores.”
A Conlutas, central ligada ao PSTU, afirma que seguirá pressionando pela revogação da medida e pela realização do ato na Paulista, além de articular apoio de outras organizações em defesa do direito de manifestação.
Fonte ==> Brasil de Fato


