O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs neste domingo (24) a convocação de novas eleições dentro de 90 dias “para evitar mortes e feridos” diante dos protestos contra o governo de Rodrigo Paz. Durante seu programa semanal na Rádio Kawsachun Coca, o líder indígena disse que o atual mandatário “tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”.
Os protestos contra as atuais políticas neoliberais e pela renúncia de Paz, que enfrenta a pior crise econômica em quarenta anos, acontecem desde o início de maio e são liderados por setores camponeses e sindicatos da Central dos Trabalhadores da Bolivia (COB). Nos últimos dias, os bloqueios rodoviários se estenderam a regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca.
Os manifestantes resistem às reformas propostas pela gestão ultraconservadora e acusam o presidente de ignorar suas reivindicações. Por sua vez, Paz afirma que Morales está por trás dos protestos, alegação que vem sendo rejeitada pelo líder indígena. Ao programa 20 Minutos de Opera Mundi, na sexta-feira (22), o ex-presidente reiterou que os protestos que paralisaram o país não são dirigidos contra ele, como tenta fazer crer Paz.
“Eles culpam tudo em mim, tudo no Evo. Os culpados são aqueles que emitiram o Decreto Supremo e essa lei”, disse, referindo-se ao Decreto Supremo 5503 promulgado logo após Paz assumir o Executivo. “A partir de uma reivindicação setorial — salário, posse de terras, atenção às demandas em saúde, educação — transforma-se em uma revolta popular contra o modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial.”
Protestos na Bolívia
Ao longo de três semanas de protestos, que incluem reivindicações de trabalhadores, professores, indígenas e transportadores, dezenas de vias de acesso a La Paz foram bloqueadas pelos manifestantes, provocando escassez de alimentos, remédios e combustível na cidade, como também uma consequente alta dos preços.
No sábado (23), a polícia e o exército bolivianos tentaram desobstruir a rodovia La Paz-Oruro e outras estradas como parte da Operação Bandeiras Brancas, levando, porém, a confrontos violentos entre agentes e manifestantes. Segundo a mídia local, no setor Senkata, em El Alto, policiais recorreram ao uso de agentes químicos para dispersar a concentração, mas o povo resistiu e, pouco depois, mais pessoas se uniram ao bloqueio.
*Com informações da Telesur
Fonte ==> Brasil de Fato


