Boletim Executivo do Varejo destaca retração do índice antecedente de vendas, inflação mais moderada e mudanças definitivas no comportamento do consumidor
O varejo brasileiro encerrou junho com sinais de desaceleração da atividade, mas mantendo indicadores que reforçam a resiliência do consumo e apontam para uma transformação estrutural na forma de competir. A avaliação é do diretor comercial e especialista em varejo Paulo Brenha, autor do Boletim Executivo do Varejo, que reúne semanalmente os principais indicadores econômicos e tendências que impactam o setor.
Segundo a edição referente ao período de 3 a 10 de julho de 2026, embora o ambiente econômico exija maior cautela, empresas que investem em inteligência artificial, integração de canais e eficiência operacional tendem a ampliar sua vantagem competitiva.
Índice antecedente aponta desaceleração das vendas
O principal indicador acompanhado pelo boletim, o IGet (Santander/Getnet), registrou retração de 1,4% em junho, na comparação dessazonalizada com maio. O resultado sucede uma queda de 0,4% observada no mês anterior, sinalizando perda de ritmo na atividade do varejo.
De acordo com Paulo Brenha, a desaceleração não representa um enfraquecimento do mercado como um todo, mas evidencia um consumidor mais criterioso e um ambiente de negócios mais competitivo.
Outro indicador destacado é a leitura de volume do comércio medida pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), que apresentou retração de 0,4% em maio, reforçando o cenário de moderação observado pelos índices antecedentes.
Inflação segue desacelerando
Entre os indicadores macroeconômicos, o boletim mostra que o IPCA-15 de junho avançou 0,39%, acumulando 5,02% nos últimos 12 meses.
O destaque positivo ficou para os combustíveis, que registraram queda de 0,78%, contribuindo para aliviar parte da pressão inflacionária sobre o consumidor.
Por outro lado, os maiores impactos sobre o índice continuam concentrados em energia elétrica (+2,52%), habitação (+0,88%), alimentação e bebidas (+0,67%) e transportes (+0,31%).
Confiança permanece estável
Apesar da desaceleração das vendas, a confiança do consumidor permanece relativamente estável.
Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador atingiu 88,7 pontos, com pequena variação negativa de apenas 0,1 ponto.
Para Paulo Brenha, isso demonstra que o consumidor continua disposto a consumir, porém realiza escolhas cada vez mais conscientes.
“O consumidor ficou mais criterioso, compara mais, pesquisa mais e recompensa quem entrega conveniência, experiência e valor percebido.”
E-commerce mantém trajetória de expansão
Enquanto parte do varejo físico enfrenta desaceleração, o comércio eletrônico continua apresentando crescimento consistente.
Segundo o boletim, a expansão do setor segue sendo impulsionada pela integração entre canais físicos e digitais (omnichannel), pelo uso crescente de inteligência artificial, pela personalização das ofertas e pela evolução dos meios de pagamento digitais.
Na avaliação do especialista, o e-commerce já não pode ser analisado de forma isolada, mas como parte de uma estratégia integrada de relacionamento com o consumidor.
Cinco tendências que moldam o varejo em 2026
O Boletim Executivo destaca cinco movimentos considerados fundamentais para a competitividade das empresas:
- Inteligência Artificial como infraestrutura: a IA deixa de ser tendência e passa a integrar operações como precificação, previsão de demanda, recomendação de produtos, atendimento e automação.
- Comércio unificado (Omnichannel): integração entre lojas físicas, e-commerce e canais digitais para oferecer uma experiência contínua ao consumidor.
- Personalização baseada em dados próprios: utilização estratégica de first-party data para campanhas, comunicação personalizada e programas de fidelização.
- Retail Media e Social Commerce: crescimento das novas formas de descoberta de produtos por meio de conteúdo, influenciadores e publicidade nas próprias plataformas de varejo.
- Eficiência operacional com IA: automação de processos e decisões orientadas por dados tornam-se diferenciais para produtividade e rentabilidade.
Execução passa a definir os resultados
Na análise publicada no boletim, Paulo Brenha afirma que o varejo brasileiro continua crescendo, mas em velocidades diferentes para cada empresa.
“O varejo continua crescendo, mas não da mesma forma para todos.”
Segundo ele, o preço deixou de ser o único fator de decisão de compra.
“O consumidor mais seletivo exige conveniência, experiência e valor percebido. Em 2026, execução e produtividade passaram a ser mais importantes do que simplesmente competir por preço.”
O especialista também destaca que dados e inteligência comercial tornaram-se ativos estratégicos para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
Expansão segue predominando
Outro ponto observado pelo boletim é o cenário de fusões, aquisições e expansão empresarial.
Segundo Paulo Brenha, não houve anúncios relevantes de grandes operações durante a semana analisada, mantendo predominante o movimento de crescimento orgânico das empresas do setor.
Para o especialista, acompanhar indicadores econômicos, mudanças de comportamento do consumidor e transformações tecnológicas tornou-se indispensável para empresários e executivos que desejam tomar decisões mais assertivas em um mercado cada vez mais dinâmico.

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Paulo Brenha é executivo de varejo e Customer Experience, com mais de 15 anos de atuação em grandes empresas de consumo e serviços. Diretor Comercial, LinkedIn Top Voice e uma das vozes mais influentes do Brasil em CX, Varejo e Comunicação, atua na interseção entre estratégia, vendas, experiência do cliente e desenvolvimento de pessoas, ajudando organizações a crescerem com propósito e resultado.
Com sólida formação acadêmica, incluindo programas na Fundação Dom Cabral, Harvard, MIT, FGV, FIA, PUCRS e especializações em Neuromarketing, Neuroeconomia e comportamento do consumidor pelo IBN, Paulo é reconhecido por transformar estratégia em execução prática, liderar times de alta performance e gerar impacto sustentável nos negócios.
Autor, palestrante e criador de conteúdos estratégicos, compartilha reflexões sobre liderança, varejo, inovação e performance comercial, sempre com foco em pessoas, consistência e geração de valor no longo prazo.


