O governo negocia um empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar o caixa dos Correios, que atravessam uma grave crise financeira. A operação deve aliviar a situação da estatal no curto prazo, mas parte da conta ficará para o próximo governo.
A operação, com um consórcio de bancos internacionais, é a mais nova tentativa de socorro à estatal, que não paga dividendos à União há quatro anos e acumulou prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026 e de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre.
Segundo o Valor Econômico, as negociações com as instituições financeiras estrangeiras estão em andamento, e o desembolso está previsto em duas parcelas, sendo uma neste ano e outra no próximo. Para manter as operações no curto prazo, portanto, a estatal precisará usar recursos próprios.
As demonstrações contábeis do segundo trimestre mostram que há disponibilidade de R$ 4,9 bilhões no caixa e em aplicações financeiras. O caixa, porém, não se traduz em retorno ao acionista: os Correios estão entre as empresas estatais que há mais tempo não geram dividendos para os cofres públicos.
A última transferência financeira dessa natureza ocorreu em maio de 2022, quando a empresa destinou R$ 310,8 milhões ao Tesouro Nacional. Desde aquele período, enquanto outras estatais repassaram R$ 255,9 bilhões ao governo federal, a companhia postal permaneceu sem remunerar o acionista controlador.
O que explica o rombo dos Correios
A ausência de dividendos é consequência da deterioração das contas dos Correios, que acumulam prejuízos desde 2023. Após registrar um resultado negativo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor três vezes superior ao registrado no ano anterior, a estatal contabilizou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado mantém a trajetória de queda das receitas e aumento das despesas operacionais.
Segundo os Correios, a estatal, 100% controlada pela União, vem enfrentando pressões sobre resultados, caixa e patrimônio. Entre os fatores, a empresa cita a queda das receitas dos serviços postais tradicionais, o aumento dos custos operacionais, as provisões para passivos judiciais de períodos anteriores, a concorrência nos segmentos logísticos e o custo de manter a capilaridade exigida pelo serviço postal universal.
No fim do primeiro semestre deste ano, a empresa seguia com resultado negativo, patrimônio líquido no vermelho e caixa insuficiente para se sustentar sem novos aportes. A administração reconheceu os problemas operacionais e afirmou ter adotado medidas para estabilizar as finanças, preservar a liquidez e recuperar os resultados.
A conta do novo socorro aos Correios
O caso dos Correios expõe um problema maior: em um cenário de juros altos e caixa apertado, cada aporte a estatais deficitárias é dinheiro que deixa de ir para a ponta.
Diante do rombo orçamentário e do fato de que cerca de 71% das localidades atendidas operam sem lucro em razão do dever legal de universalização postal, a gestão da estatal busca alternativas para diversificar receitas e cortar custos.
Entre as ações em andamento estão o fechamento de até mil agências deficitárias, vendas de imóveis e programas de demissão voluntária. Paralelamente, o governo federal autorizou os Correios a atuarem na comercialização de seguros, títulos de capitalização e na prestação de serviços de telefonia celular como operadora virtual.
VEJA TAMBÉM:
- Greve nos Correios: funcionários decretam paralisação por tempo indeterminado
- Correios abrem novo plano para demitir até 7 mil funcionários e reduzir crise bilionária
Fonte ==> Gazeta


