Para especialista com mais de 1000 projetos internacionais, a IA muda radicalmente a execução, mas o que mais vale no design nunca foi isso
Uma ferramenta digita um briefing e entrega um layout em segundos. Outra analisa cliques e sugere onde posicionar um botão. Uma terceira gera variações de cor, texto e estrutura para testes automáticos. Se a inteligência artificial já faz isso, o que ainda sobra para o designer humano?
A pergunta circula com força crescente em estúdios, agências e plataformas de trabalho. E ela não é retórica. Ferramentas como Figma Make, Google Stitch, Midjourney e uma dezena de outras já automatizam tarefas que, até pouco tempo, exigiam horas de profissional especializado. O cenário é real, e ignorá-lo seria ingenuidade. Mas confundir automação de execução com substituição de raciocínio é um erro igualmente sério.
Para Gabriel De Gennaro, especialista em UX/UI com mais de 16 anos de experiência e mais de 1000 projetos concluídos para clientes internacionais, a resposta não é simples e qualquer versão que simplifique demais está errada. “A IA já mudou o meu trabalho. Mas ela mudou a parte que, honestamente, não era a mais importante. O que a tecnologia ainda não consegue fazer é entender o que o cliente realmente precisa, que frequentemente é diferente do que ele pede”, afirma.
“A ferramenta entrega o que você pede. O designer entende o que você precisa. Essa diferença vale dinheiro”, afirma De Gennaro.
O que mudou, segundo ele, foi a velocidade e o custo da execução. Protótipos que levavam dias são gerados em horas. Variações visuais que exigiam interações manuais são testadas automaticamente. “O profissional que usava 80% do seu tempo em execução e 20% em estratégia precisa inverter essa equação. Quem não fizer isso vai perder espaço, não para a IA, mas para designers que usam a IA melhor”, observa.
A distinção é importante. O mercado não está eliminando designers. Está eliminando um perfil específico: o executador passivo. Quem se posicionava como “fazedor de layout” já enfrentava pressão de preço antes da IA. Agora, essa pressão se torna insustentável. Por outro lado, profissionais que dominam estratégia de conversão, arquitetura de informação e comportamento do usuário encontram um cenário diferente, onde a IA amplifica sua capacidade de entrega sem substituir seu julgamento.
“Eu uso inteligência artificial todos os dias. Ela acelerou minha produção de forma significativa. Mas cada decisão relevante seja de posicionamento, de hierarquia, de fluxo, ainda passa pelo meu julgamento. A ferramenta não tem contexto de negócio. Não sabe o histórico do cliente, não entende a cultura do mercado que ele quer atingir, não percebe o que não foi dito na reunião. A IA democratizou a execução. Quem vende execução vai sofrer. Quem vende resultado vai crescer”, explica Gabriel.
Outro fator que a tecnologia ainda não replicou é a gestão da relação com o cliente. Em projetos internacionais, onde Gabriel atua, há anos, atendendo empresas dos Estados Unidos, Canadá e Europa, comunicação, alinhamento de expectativas e capacidade de traduzir objetivos de negócio em decisões de design são tão determinantes quanto qualidade técnica. “Nenhuma ferramenta vai sentar com o cliente, ouvir o que ele está tentando resolver e ajudar a formular a pergunta certa antes de propor qualquer solução”, diz.
O consenso entre os especialistas que acompanham o setor é que o mercado de design passará por uma reconfiguração, não por uma eliminação. O volume de entrega individual aumenta com a IA, o que pressiona o preço de projetos de baixa complexidade, mas eleva o teto de projetos estratégicos. O designer que combina domínio técnico com visão de negócio não vê a IA como ameaça. Ele a vê como o maior salto de produtividade da história da profissão.
“Quem entende de design sabe que a parte mais difícil nunca foi desenhar. Foi pensar. E pensar, por enquanto, ainda é nosso”, conclui Gabriel De Gennaro.
Gabriel De Gennaro é especialista em UX/UI e direção de arte, com mais de 16 anos de experiência no mercado digital. CEO e diretor criativo do Studio Gabriel De Gennaro, atua no desenvolvimento de websites, aplicativos e plataformas digitais com foco em performance e conversão. Trabalha no mercado internacional como freelancer, com mais de 1000 projetos concluídos e reconhecimento em plataformas globais. Também é mentor e consultor para profissionais e empresas que buscam melhorar resultados no ambiente digital.
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