Celulares, computadores, blockchains e sistemas armazenam vestígios capazes de reconstruir acontecimentos; especialista Jardel Jardelino de Lima explica por que ferramentas, metodologia e formação precisam caminhar juntas na produção da prova digital
Uma mensagem é enviada pelo WhatsApp e depois apagada. Um arquivo desaparece do computador. Uma transferência em criptomoedas percorre diferentes carteiras. Para quem observa apenas a tela, pode parecer que a informação deixou de existir ou que o caminho daquele dinheiro se tornou impossível de acompanhar.
Para a Computação Forense, a realidade pode ser diferente.
Celulares, computadores, aplicativos, servidores e sistemas produzem continuamente vestígios digitais. Logs, metadados, arquivos temporários, registros de acesso, bancos de dados, identificadores de dispositivos e movimentações financeiras podem permanecer disponíveis e, quando analisados em conjunto, ajudar a reconstruir acontecimentos.
É por isso que casos recentes envolvendo a análise de dispositivos eletrônicos em investigações de grande repercussão chamaram atenção também para um campo que, durante muito tempo, permaneceu distante do conhecimento do grande público: a Perícia Digital.
A pergunta deixou de ser apenas se determinada informação pode ser encontrada.
O desafio agora é saber o que procurar, onde procurar e como interpretar tecnicamente aquilo que foi localizado.
Encontrar um dado não significa produzir uma prova
A quantidade de informações disponíveis em um dispositivo pode ser enorme. Isso não significa que tudo o que é encontrado possa automaticamente ser apresentado como evidência confiável.
A atuação pericial exige metodologia.
É necessário compreender de onde determinado vestígio veio, como foi obtido, de que maneira foi preservado e quais procedimentos foram empregados durante sua análise.
Conceitos como cadeia de custódia, integridade, autenticidade, rastreabilidade, reprodutibilidade e replicabilidade tornam-se fundamentais nesse processo.
Um print de uma conversa, por exemplo, pode mostrar aquilo que aparece na tela. A Computação Forense pode buscar elementos adicionais capazes de contextualizar tecnicamente aquela informação, incluindo metadados, registros do sistema, artefatos produzidos pelos aplicativos e outros dados relacionados ao dispositivo.
É uma diferença que Jardel Jardelino de Lima, perito judicial e assistente técnico com atuação em Computação Forense, Crimes Cibernéticos, Provas Digitais, Criptoativos e Investigação Patrimonial, resume em uma ideia:
“Ferramentas encontram dados; conhecimento, metodologia e experiência transformam dados em evidências tecnicamente interpretáveis.”
O papel do Assistente Técnico
Dentro de um processo judicial, outra figura assume importância crescente diante da digitalização das provas: o Assistente Técnico.
Sua atuação pode começar antes mesmo da conclusão do trabalho realizado pelo perito do juízo. O profissional pode acompanhar procedimentos, formular quesitos, avaliar metodologias, verificar a preservação dos vestígios e produzir pareceres destinados a subsidiar tecnicamente a estratégia jurídica.
Em alguns casos, informações aparentemente pequenas podem alterar a interpretação de um conjunto probatório.
Um horário incompatível, uma divergência entre registros, um endereço IP, um metadado, uma sequência cronológica ou uma movimentação financeira podem abrir novas linhas de investigação.
Mas há uma diferença entre localizar uma inconsistência e demonstrar suas consequências.
Na análise de uma possível falha na cadeia de custódia, por exemplo, é necessário verificar se aquela ocorrência efetivamente comprometeu a integridade, a autenticidade, a confiabilidade ou a possibilidade de reprodução da evidência.
Para Jardel, essa independência é um dos princípios da atividade.
O perito não deve procurar informações simplesmente para confirmar determinada narrativa. Seu papel é compreender aquilo que os vestígios efetivamente permitem demonstrar, inclusive quando os resultados contrariam uma hipótese inicialmente apresentada.

Blockchain também deixa rastros
A expansão das criptomoedas criou uma nova fronteira para esse trabalho.
Bitcoin, Ethereum, stablecoins e outros ativos passaram a aparecer em investigações de fraudes, crimes financeiros, disputas patrimoniais, execuções judiciais e casos envolvendo movimentação ou possível ocultação de patrimônio.
Embora seja comum associar criptomoedas ao anonimato, muitas blockchains mantêm registros públicos e permanentes das transações. Isso permite que técnicas de investigação on-chain sejam empregadas para acompanhar fluxos e estabelecer relações entre diferentes movimentações.
A análise pode envolver endereços, carteiras, exchanges, contratos inteligentes, bridges e movimentações entre diferentes redes.
É uma das áreas de atuação da JG Perícias, que trabalha com Computação Forense e investigação de ativos digitais, incluindo análise de dispositivos, provas digitais, OSINT, rastreamento de transações em blockchain e investigação patrimonial.
O objetivo não é simplesmente apresentar uma representação gráfica de para onde determinado ativo foi enviado, mas transformar a movimentação em uma linha investigativa tecnicamente compreensível e documentada.
O próprio material profissional de Jardel destaca a combinação de análise de blockchain, investigação de fluxos entre carteiras, análise cross-chain, OSINT e elaboração de documentação técnica para utilização em processos.
Reconhecimento entre investigadores de blockchain
A atuação de Jardel nesse segmento também ganhou repercussão fora do Brasil.
Em uma publicação dedicada a profissionais e fontes relevantes para quem acompanha investigações em blockchain, a Arkham Intelligence destacou cinco nomes internacionais ligados ao setor e, adicionalmente, reconheceu integrantes de sua própria comunidade que contribuem com pesquisas on-chain e compartilhamento de conhecimento.
Jardel Jardelino de Lima apareceu entre os profissionais mencionados pela Arkham Community, ao lado de investigadores de diferentes países. A publicação destacou justamente participantes que, segundo a organização, agregam valor, compartilham pesquisas on-chain e contribuem para elevar o nível da comunidade.
O reconhecimento ajuda a dimensionar uma transformação na própria atividade investigativa. Investigar blockchain já não significa simplesmente acompanhar uma transferência de um endereço para outro.
O campo aproxima Computação Forense, inteligência de fontes abertas, análise financeira, segurança da informação e conhecimento sobre o funcionamento de diferentes protocolos.
Conhecimento também como ferramenta de prevenção
A experiência com investigações também levou Jardel para outra frente: tentar evitar que a fraude aconteça.
Em julho de 2026, o Livecoins publicou o lançamento de um e-book gratuito sobre prevenção a golpes com criptomoedas, produzido por Jardel em conjunto com Urraca Mendes, analista do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, e Luiz Souza, especialista em rastreamento on-chain.

A cartilha possui 34 páginas e foi organizada em 13 seções práticas. O conteúdo acompanha três momentos: os cuidados antes de investir, como reconhecer sinais de alerta diante de uma situação suspeita e quais providências tomar quando a fraude já aconteceu.
Entre os golpes abordados estão pirâmides financeiras, esquemas Ponzi, phishing, falsas exchanges, rug pulls, wallet drainers, SIM swap e o chamado pig butchering, modalidade na qual criminosos constroem relações de confiança antes de induzir a vítima a realizar falsos investimentos. O material também trata de fraudes potencializadas por Inteligência Artificial, como deepfakes.
Há ainda orientações sobre preservação de provas e os caminhos que podem ser procurados pela vítima após a identificação de uma fraude.
A publicação é disponibilizada gratuitamente e tem caráter educativo, buscando traduzir conceitos técnicos para pessoas que não necessariamente possuem experiência com blockchain ou segurança digital.
Investigar também significa saber comunicar
Essa produção de conteúdo toca em outro desafio da perícia: uma investigação tecnicamente sofisticada perde parte de sua utilidade quando suas conclusões não conseguem ser compreendidas por quem precisa tomar uma decisão.
Advogados, magistrados, membros do Ministério Público e outras partes envolvidas em um processo não precisam necessariamente dominar blockchain, arquitetura de sistemas ou análise forense.
O perito precisa fazer essa ponte.
É necessário transformar milhares de registros, transações e informações técnicas em uma sequência lógica que permita compreender o que foi analisado, como a análise foi realizada e quais conclusões podem ser sustentadas.
Isso exige conhecimento técnico, mas também capacidade de documentação e comunicação.
Inteligência Artificial torna a prova ainda mais complexa
A chegada da Inteligência Artificial generativa adiciona outra camada a esse problema.
Imagens, áudios, vídeos e documentos podem ser produzidos ou modificados com níveis crescentes de realismo. Deepfakes e conteúdos sintéticos tornam mais difícil assumir que aquilo que aparece diante dos olhos corresponde necessariamente ao que aconteceu.
Paradoxalmente, quanto mais sofisticada se torna a tecnologia utilizada para criar ou manipular informações, maior tende a ser a necessidade de técnicas capazes de verificar origem, integridade e contexto.
O mesmo movimento acontece nos crimes financeiros. Ferramentas digitais tornam determinadas fraudes mais sofisticadas, enquanto tecnologias de análise também evoluem para investigá-las.
Formação contínua em uma área que não para de mudar
É diante desse cenário que a trajetória profissional de Jardel ganha relevância.
Jardel Jardelino de Lima atua como Perito Judicial e Assistente Técnico, concentrando seu trabalho em Computação Forense, Crimes Cibernéticos, Provas Digitais, Criptoativos e Investigação Patrimonial.
É mestrando em Cybersecurity pela AGTU, na Flórida, Estados Unidos, e atua com investigação de criptoativos, rastreamento on-chain, análise de transações em blockchain e preservação de evidências digitais. Também integra entidades como a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), a International Association of Computer Investigative Specialists (IACIS) e a Associação dos Peritos em Computação Forense (APECOF). Essas credenciais também aparecem na apresentação dos autores do e-book publicado pelo Livecoins.
Seu perfil profissional registra ainda formação relacionada à Inteligência Artificial e blockchain, além de atualização em prevenção e atuação diante de crimes tecnológicos vinculada ao United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC).
Essa necessidade de capacitação permanente acompanha a velocidade da própria tecnologia.
O dispositivo analisado hoje pode ser diferente daquele que estará sobre a mesa do perito daqui a alguns anos. Novos aplicativos surgirão. Blockchains serão criadas. Sistemas de Inteligência Artificial produzirão novas formas de conteúdo e criminosos continuarão adaptando seus métodos.
Por isso, a formação não termina com uma certificação.
Tecnologia a serviço da Justiça
A quantidade de dados produzidos pela sociedade continuará crescendo.
Celulares registrarão cada vez mais aspectos da vida cotidiana. Sistemas corporativos acumularão históricos de atividades. Operações financeiras atravessarão plataformas e fronteiras. Blockchains continuarão registrando movimentações. A Inteligência Artificial tornará ainda mais tênue a fronteira entre conteúdos autênticos e sintéticos.
Nesse ambiente, o maior desafio da investigação talvez não seja encontrar informações.
Será descobrir quais delas importam.
A Computação Forense existe justamente nesse espaço: entre o dado bruto e a evidência capaz de ser compreendida e tecnicamente sustentada.
A tecnologia oferece as ferramentas. A formação fornece conhecimento. A experiência direciona a investigação. E a metodologia estabelece as condições para que os resultados possam ser examinados.
É essa combinação que orienta o trabalho desenvolvido por Jardel e pela JG Perícias.
Porque, na era digital, apagar uma mensagem, excluir um arquivo ou movimentar um ativo para outra carteira pode mudar aquilo que aparece na tela.
Mas não significa necessariamente apagar a história que os vestígios digitais ainda são capazes de contar.
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LinkedIn de Jardel: jardel-jardelino-de-lima
Instagram da JG Perícias: @jgpericias
Link para baixar o Ebook gratuitamente: https://drive.google.com/file/


