13 de setembro de 2026

Aparelhos de TV pirata desviam conexões domésticas para crimes na internet

Aparelhos de TV pirata desviam conexões domésticas para crimes na internet

Equipamentos clandestinos de TV via internet e aplicativos de canais gratuitos transformam conexões domésticas em rotas para o cibercrime. O alerta consta em análises técnicas das empresas de cibersegurança Plume Design e Malwarebytes, reforçadas por um comunicado de utilidade pública do FBI sobre redes de proxy residenciais. Os relatórios revelam que caixas de streaming, como as da fabricante SuperBox, contêm programas que usam a internet de residências sem a permissão dos donos.

A Malwarebytes procurou a SuperBox para obter posicionamento sobre os dados técnicos revelados pelas investigações, mas a empresa não enviou resposta até a publicação deste texto.

Na prática, ao conectar o aparelho ao Wi-Fi, o morador cede o endereço legítimo de protocolo de internet (IP) da casa. Esse endereço passa a integrar redes de servidores intermediários comercializadas para terceiros. Como o tráfego aparenta vir de uma residência comum, criminosos conseguem furar bloqueios de segurança corporativos, testar senhas vazadas e praticar invasões. Para as plataformas afetadas, a origem da investida ilegal fica registrada no endereço do próprio consumidor inocente.

Segundo Chris Griffiths, diretor de tecnologia da Plume, a ameaça se apoia na falta deliberada de travas nos equipamentos:

“Esses dispositivos chegam de fábrica com acesso remoto e controle administrativo total totalmente abertos, sem exigir senha, sem autenticação e sem aprovação do usuário. Infelizmente, isso não se limita a um único produto. O mesmo software foi usado em outros reprodutores de mídia e em campanhas maliciosas, o que mostra um problema amplo na cadeia de suprimentos desse ecossistema”, avalia o especialista.

De acordo com o pesquisador Pieter Arntz, da Malwarebytes, o problema se estende a programas disponíveis nas lojas desses aparelhos. No caso do SuperBox, ferramentas populares como CyberFlix TV e AppLinked executam módulos ocultos (como Popanet e Netway) que ativam canais diretos com servidores externos. Essas conexões partem de dentro para fora da casa, o que impede a proteção comum exercida por firewalls domésticos.

A investigação da Plume identificou que os nós residenciais serviram para mascarar acessos automatizados a plataformas como Google, OpenAI e Microsoft, além de expor roteadores locais e modems a vasculhamentos indevido. Ao monitorar portas abertas nesses dispositivos, os analistas registraram 1.352 tentativas de ataques e a injeção de vírus como Mirai e CECbot, destinadas a derrubar serviços digitais.

O FBI alertou em comunicado institucional sobre o aumento do uso dessas redes para roubo de identidades, fraudes bancárias e compras em massa com ferramentas automatizadas. A recomendação dos técnicos de segurança e das autoridades é retirar o aparelho da tomada e do Wi-Fi de forma definitiva. Conforme os relatórios, redefinir as configurações de fábrica não remove as vulnerabilidades, pois o código adulterado costuma vir embutido na memória principal do produto.
 

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Fonte ==> TecMundo

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