27 de junho de 2026

As paixões de Lúcio Maia: ‘Não tem como separar cinema e música’

Ex-guitarrista do grupo Nação Zumbi, Lúcio Maia vive um momento em que segue na música em carreira solo, enquanto mergulha no universo das trilhas para cinema. Convidado do episódio desta sexta-feira (26) do podcast Sabe Som?, apresentado por Thiago França, o artista fala sobre sua saída da banda, seu segundo álbum solo lançado em abril e como se apaixonou pelo audiovisual.

A transição de carreira, segundo Maia, começou quando ele percebeu uma desconexão com o restante do grupo. A decisão se deu em 2020, no início da pandemia.

“Eu não sentia mais parte daquilo. Qualquer banda que passa de 25 e chega a 30, 30 e tantos anos, vira uma instituição. Deixa de ser aquele encontro maravilhoso. De amizade, de piada, enfim, de brincadeira. O entorno, às vezes, é mais legal do que um som mesmo. Uma hora você começa a tocar, fazer turnê, você fica repetindo o repertório, vira mais uma coisa automática. A falta de criatividade da banda, no sentido de ficar produzindo coisa, não rolava mais, tanto que o último disco que a gente fez autoral foi em 2014, que foi gravado em 2011. Ou seja, tem 15 anos que a banda produziu material autoral, sabe? Então eu me sentia muito subutilizado, digamos assim. Porque eu tinha que ficar tocando ‘A Praeira’. Nada contra, assim, porque são músicas nossas”, relata.

Nesse processo, Lúcio Maia disse que sentiu que poderia ser a hora de realizar um desejo antigo: o de se reconectar com o cinema. E foi por meio de seu cunhado, o produtor Rodrigo Teixeira, que integrava a equipe do premiado longa brasileiro Ainda Estou Aqui, que recebeu seu maior estímulo. “Ele me procurou e disse: ‘Velho, por que você não volta a trabalhar com trilha?’. Aí ele disse que tinha um filme para mim, para eu fazer a trilha, foi o ‘Enterre Seus Mortos’, pela Globoplay. Aí eu voltei a trabalhar com isso”, conta. “Não tem como separar cinema e música”, completa.

A única crítica de Maia a esse universo é a desvalorização por parte do mercado brasileiro. Ele explica que, nos Estados Unidos, os orçamentos para a trilha sonora chegam em torno de 30% do orçamento total. No Brasil, os recursos destinados a essa parte da produção ficam em torno de 1%.

“É uma falta de visão, porque lá fora, eu li a biografia do Star Wars, do George Lucas, que foi um desastre total para fazer aquele primeiro, sabe? Todos os atores eram desconhecidos. Era um planejamento só dele, era um investimento dele. A Fox, na época, não queria dar grana. Mas ele chamou o John Williams, cara. E o John Williams, só pra você ter uma ideia, depois que o filme saiu, foi o disco que mais vendeu de trilha sonora da história. Na época, no primeiro ano, vendeu um milhão de cópias. A trilha do Star Wars. Então, assim, ele ali provou que a trilha é um produto tão importante quanto você contratar um ator foda”, defende.

Maia também fala sobre a evolução da música instrumental, as dificuldades da vida na estrada e a importância de manter o entusiasmo criativo. Por fim, os artistas refletem sobre a ética profissional e as parcerias colaborativas que definem a maturidade de suas trajetórias na cena brasileira.

O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.



Fonte ==> Brasil de Fato

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