A entronização de Flávio Bolsonaro como herdeiro-mor do bolsonarismo é exemplo de como o Brasil das capitanias hereditárias sobrevive nos “nepo babies” da política nacional.
O termo em inglês “nepo baby” é usado para descrever filhos de celebridades que seguem a carreira dos pais, herdando contatos e privilégios do nome famoso. Assim como no entretenimento e na moda, os ‘nepo babies’ dão o que falar no meio político, onde herdeiros de oligarquias e clãs trafegam com vantagem na disputa por indicações, cargos e visibilidade.
O filho 01 foi o escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ser candidato à presidência, como herdeiro de um espólio político que já o fizera saltar de deputado estadual a senador.
Nepotismo que desmonta o discurso bolsonarista de ruptura com a chamada “velha política”, ao reproduzir uma das práticas mais tradicionais na República brasileira: a transferência de capital político dentro da própria família.
O Brasil aboliu as capitanias hereditárias ainda no período colonial, mas jamais conseguiu eliminar a lógica do poder transmitido como herança. Uma cultura política profundamente marcada pelo patrimonialismo, pelo personalismo e pela ideia de que determinados sobrenomes carregam uma espécie de direito natural à liderança.
O “nepo babyismo” político é base das oligarquias que governam o Brasil há séculos. No Norte e Nordeste, o fenômeno é quase monárquico. Vide Renan Calheiros Filho e Jader Barbalho Filho galgando ministérios, governos estaduais e cadeiras no Parlamento carregando votos e o mesmo nome de seus patriarcas.
Já em outro lado do espectro ideológico, o “nepo baby” Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é acusado de operar nas sombras do poder paterno. Embora nunca tenha disputado cargos eletivos, o acesso a negócios e a influência em Brasília rendem investigações na Polícia Federal e no Ministério Público.
Assim como Flávio Bolsonaro também está na berlinda por ter negociado centenas de milhões com o encrencado Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a trajetória do pai, em roteiro digno de “nepo baby”.
Fonte ==> Folha SP


