Especialista Ana Flávia Pasin Ventura aponta sinais silenciosos e crescimento do problema ligado ao estilo de vida moderno.
Dor de cabeça frequente, tensão no rosto e cansaço ao acordar podem não ser apenas estresse. Esses sintomas, muitas vezes ignorados, podem estar associados ao bruxismo, uma condição que vai muito além do hábito de ranger os dentes e impacta diretamente a qualidade de vida.
O bruxismo é caracterizado pelo ato involuntário de apertar ou ranger os dentes, principalmente durante o sono. No entanto, segundo a cirurgiã-dentista Ana Flávia Pasin Ventura, o problema raramente começa pela boca.
“O bruxismo não se inicia nos dentes. Ele se manifesta neles. A boca acaba sendo o ponto final de um processo que envolve o corpo inteiro”, afirma.
Sinais que vão além do barulho
Diferente do que muitos imaginam, o diagnóstico nem sempre está ligado ao som do ranger de dentes. Na prática, o corpo costuma dar sinais progressivos:
- Dor de cabeça recorrente, geralmente unilateral
- Sensação de tensão em um lado do rosto
- Dor próxima ao ouvido que irradia para pescoço e ombros
- Estalos ao abrir ou fechar a boca
- Mandíbula cansada ou travada ao acordar
- Sensibilidade dentária sem causa aparente
- Desgaste, trincas ou fraturas nos dentes
- Quebra frequente de restaurações
Muitos pacientes passam por diferentes especialidades antes de identificar a origem do problema.
Um reflexo do estilo de vida atual
O bruxismo não tem causa única. É multifatorial e, nos últimos anos, vem sendo cada vez mais associado à rotina moderna.
Entre os principais fatores estão:
- Estresse e ansiedade acumulados
- Sobrecarga mental
- Alterações no sono
- Uso excessivo de telas
- Excesso de cafeína
- Respiração oral
- Desalinhamento da mordida
A respiração tem papel relevante no agravamento do quadro.
“Quando a respiração acontece pela boca, o corpo entra em estado de alerta constante. Isso impacta o sono e favorece o desenvolvimento do bruxismo”, explica a especialista.
Quando ignorar vira problema maior
Sem tratamento, o impacto vai além do desconforto.
Na saúde bucal, pode causar:
- Desgaste severo dos dentes
- Trincas e fraturas
- Tratamentos de canal
- Necessidade de coroas
- Perda dentária e implantes
Mesmo implantes podem ser comprometidos pelo excesso de força.
No corpo, os efeitos incluem:
- Dor crônica na face, cabeça e pescoço
- Sobrecarga muscular
- Piora do sono
- Cansaço constante
Quando associado à respiração inadequada durante o sono, o quadro pode evoluir para ronco e apneia, condição ligada ao aumento do risco cardiovascular.




Tratamento: controle e abordagem integrada
O tratamento exige análise individualizada e costuma atuar em duas frentes.
De um lado, a causa:
- Ajustes respiratórios
- Melhora da qualidade do sono
- Controle do estresse
- Acompanhamento multidisciplinar
Do outro, a proteção dos danos:
- Uso de placa acrílica intraoral
“A placa não cura o bruxismo. Ela protege os dentes e reduz a sobrecarga muscular”, reforça.
O cotidiano revela o problema
Na prática clínica, alguns relatos são recorrentes:
- “Já fiz vários exames e ninguém descobre o que eu tenho”
- Dor que começa no ouvido e se espalha
- Sensibilidade sem explicação
- Acordar cansado mesmo após dormir
- Boca seca ao acordar
- Sono agitado
Sinais que indicam um problema muitas vezes negligenciado.
Mais do que dentes: um alerta do corpo
O aumento dos casos reforça uma mudança importante no cenário atual.
“A boca é um espelho do corpo. O que aparece nela muitas vezes é reflexo de desequilíbrios físicos e emocionais”, conclui Ana Flávia Pasin Ventura.
SERVIÇO
Fonte: Ana Flávia Pasin Ventura
Cirurgiã-dentista com atuação em Ortodontia e Ortopedia Facial, com abordagem integrativa voltada à fisiologia do paciente. Possui formação complementar em Odontologia Miofuncional e Saúde Integrativa, com foco em respiração, sono e equilíbrio sistêmico aplicado à odontologia.
São Paulo – SP
Instagram: @draanaflaviapasin
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