Campanha solidária envia 7 toneladas de remédios a Cuba

Uma campanha articulada pelo Instituto Cultivar já enviou a Cuba mais de 7 toneladas de medicamentos e insumos arrecadados no Brasil.

A informação foi dada por Regina Gerônimo, membro da direção nacional do MTD (Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos) e uma das mobilizadoras da campanha, ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.

A ilha caribenha é afetada por grave crise energética, com Havana chegando a registrar até 18 horas de apagão por dia, conforme relatou Regina. “Foi um acúmulo de desinvestimento e bloqueio que levou a essa situação catastrófica”, afirmou.

Regina também integra a secretaria da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da América) no Brasil. Na entrevista, destacou a importância de fortalecer a campanha de solidariedade ao povo cubano. “O povo lá tem se organizado para resistir e defender a sua pátria”, disse.

A delegação brasileira que participará da 4ª Assembleia Continental da Alba, a ser realizada em Cuba de 6 a 9 de agosto de 2025, levará malas solidárias com itens arrecadados no Brasil. Também é possível contribuir via pix para a campanha do Instituto Cultivar.

Brasil de Fato: Reafirmar nossa latinidade é importante, mas insuficiente nesse momento em que Cuba pede ajuda internacional perante mais uma fase do imperialismo que vem sufocando a economia da nossa ilha caribenha. Falamos agora sobre essa campanha de solidariedade.

Regina Gerônimo: É muito bom a gente poder ter esses espaços abertos para falar sobre esses esforços da campanha de solidariedade permanente e ativa com os nossos irmãos cubanos, que tanto fizeram pelo mundo. Hoje a gente entende que é uma tarefa muito urgente e necessária que os movimentos e as organizações populares assumam — denunciar os crimes do império e demonstrar a sua solidariedade à Revolução Cubana, ao povo que bravamente resiste a todas essas agressões impostas pelos Estados Unidos.

Vamos começar fazendo um panorama de qual é a situação de Cuba hoje. A gente sabe que já são quase 60 anos de sufocamento, que se agravou por conta da invasão e do sequestro do presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, pelos Estados Unidos. Mas é possível dizer que a situação, pelo menos nos últimos meses, tem melhorado na ilha?

A partir dos relatos dos cubanos com quem a gente tem contato e articula — tanto pela Alba quanto pelos movimentos populares na construção dessa integração da América Latina —, os relatos são de que, mesmo com toda essa ajuda, esse petróleo russo que chegou e toda a construção de placas solares que os chineses têm ajudado a garantir no país, Cuba vem enfrentando essa asfixia, esse bloqueio, há mais de 60 anos. Então, na verdade, houve um momento mais crítico e severo, que chegou a ter 18 horas de apagão em Havana, por exemplo — um acúmulo de um processo de desinvestimento e bloqueio criminoso que levou a essa situação tão catastrófica.

Mas o que o povo comenta é que a situação foi ficando cada vez mais difícil. A gente precisa entender que, para um navio chegar com ajuda nesse sentido — de carregamento de petróleo da Rússia, por exemplo —, ele demora no mínimo 20 dias para chegar.

Inclusive essa quantidade que Cuba recebeu ajudou a operar muitas coisas, mas a gente precisa levar em consideração que foram muitos meses operando abaixo da sua real demanda.

Esses dias, o ministro de Minas e Energia falou que, em relação à eletricidade, o país vinha operando com faltas máximas superiores a 2.000 kW por dia, sendo que a sua demanda diária é de 3.200 MW. Isso significa operar com menos da metade da real demanda.

Pensando nesses estragos e nos sintomas a longo prazo, é toda uma reorganização que o país precisa fazer, porque ficar tanto tempo sem energia é um colapso.

E mesmo que cheguem as ajudas, a gente precisa lembrar que o transporte público foi severamente afetado, as aulas — tanto das crianças quanto das universidades — foram afetadas. Então é um estrago que a gente acaba não dimensionando e que não vai ser sanado tão facilmente.

O bloqueio impede que países vendam petróleo a Cuba — essa é uma das esferas mais cruéis, porque significa que Cuba vai ficar dependente dessas ajudas que estão tão distantes, dificultando ainda mais esse processo entre os países. Com certeza, Cuba pode ficar desassistida.

Quando a gente fala de um bloqueio econômico, obviamente a primeira consequência é da questão do transporte, de energia e combustíveis, mas ele acaba reverberando numa série de cotidianidades — entre elas, medicamentos e alimentos. A família não consegue produzir, o que interfere necessariamente no dia a dia da população. É muito formidável que, apesar de tudo isso, a população cubana siga apoiando a atual gestão, siga apoiando a revolução. Óbvio que tem muitas pessoas que não, mas é quase natural — a gente fica tentando se colocar no lugar dessas pessoas.

Outro apoio incondicional que chegou recentemente foi o de um brasileiro muito conhecido: Chico Buarque de Holanda. Ele foi gravar com Silvio Rodríguez, que é uma lenda da música latino-americana, especialmente em Cuba. É muito bonito que os dois ainda estão em vida para celebrar e enfrentar os desafios atuais. Eu imagino que o povo cubano recebeu o Chico de braços completamente abertos.

Sim, inclusive com muitas imagens circulando dos cubanos reconhecendo o Chico na rua. Essa viagem reafirma a construção de uma relação entre o povo brasileiro e o povo cubano que não é de hoje.

Nós, dos movimentos sociais e populares organizados, temos nossa formação vinculada à realidade e à participação do povo cubano na construção dessa integração regional. Existe uma relação muito forte e, dadas todas as ameaças que o povo cubano vem sofrendo, sustentadas pelos Estados Unidos, isso vai nos conscientizando e nos faz sensibilizar a sociedade brasileira sobre a importância de se mostrar solidária a Cuba — que é um dos países mais solidários do nosso planeta.

Foi muito bonito esse encontro. E nós, enquanto movimentos aqui no Brasil e sociedade organizada, temos orientado e tentado construir espaços dessa integração, dessa celebração da relação do povo brasileiro com o povo cubano e da resistência tão forte do povo cubano.

Quando a vida começa a se tornar cada vez mais difícil, a gente tem a impressão de que a primeira opção do povo é sair do seu país e buscar outras opções fora. Mas a gente tem visto que, frente a essas agressões e provocações militares dos Estados Unidos — que ameaçam invadir a ilha —, o próprio Silvio Rodríguez solicitou a sua arma para defender o país.

Os cubanos estão lutando pelo direito de autodeterminação e por não serem esse espaço que os Estados Unidos há décadas brada ser seu — de que o Caribe e a América Latina são o seu quintal. Cuba, assim como o Brasil, não cabe no quintal de ninguém.

E o povo de lá tem se organizado para resistir e para defender a sua pátria. Então é muito importante que a gente consiga dar vazão a essas lutas e a essa construção que é também tão grande.

Pode nos trazer uma análise do posicionamento do presidente Lula, que é um aliado histórico do movimento de esquerda latino-americano. Como tem sido a atuação do governo brasileiro neste momento de agravamento do bloqueio a Cuba?

A gente que atua e milita na chave da defesa das revoluções do nosso continente — pensando na construção dessa integração que leve em conta a autodeterminação, a soberania e o direito de existir plenamente dos povos — entende esse compromisso do governo Lula, mas esperávamos um pouco mais.

A gente entende todas as questões domésticas em relação ao envio de petróleo para Cuba — por exemplo, o Brasil está muito mais próximo de Cuba do que a Rússia, seria muito mais fácil fazer isso. Mas entendemos a diplomacia, a construção desse governo, de uma articulação ampla. As coisas demoram um pouco mais, mas a gente esperava um pouco mais de imediatismo, por causa da urgência da situação, e de efetividade dessa nossa solidariedade.

O presidente Lula acerta muito, inclusive quando se reúne com Donald Trump e consegue trazer à tona falas em que, muito provavelmente, o bloqueio contra Cuba foi um tema em questão.

Trump e seu governo representam essas ameaças de reformular a Doutrina Monroe — com isso, ele diz bem ao que vem. A gente tem que ter o tato de ir construindo essa força regional, com posicionamentos de líderes tão importantes quanto o presidente Lula.

Para nós, em algum grau, está faltando essa integração entre os nossos governos — encontros como foram os da criação da Alba, por exemplo —, mas a gente entende que os momentos são outros.

A gente tem construído e mobilizado parlamentares federais, estaduais, federações de trabalhadores petroleiros e de trabalhadores da saúde, e construído essas campanhas de solidariedade para que se consiga ter mais efetividade nessa demonstração da nossa solidariedade irrestrita e permanente.

Regina, por favor, explique para a gente como cada pessoa pode se solidarizar e apoiar Cuba nesse momento.

Enquanto organizações do povo brasileiro, a gente tem mobilizado várias forças nesse sentido de construir uma campanha de solidariedade permanente e direta. Então, a gente tem organizado e incentivado a organização de debates para aproximar mais essa realidade de Cuba do povo brasileiro, sensibilizar e divulgar também algumas campanhas dos movimentos — como a campanha de compra e envio direto de medicamentos do Instituto Cultivar, que é uma arrecadação via pix organizada pelo Movimento Sem Terra. Foi a partir dela que já se fez chegar mais de 7 toneladas de medicamentos. E a gente tem entendido que ela é muito efetiva.

Além disso, nesses debates e nessas aulas públicas, a gente tem incentivado o povo a montar postos de coleta de doações de medicamentos. A gente tem construído uma ação de envio desses medicamentos físicos a partir da delegação brasileira de movimentos que vão participar da 4ª Assembleia Continental da Alba, que vai acontecer em Cuba de 6 a 9 de agosto. Essa assembleia vai, inclusive, comemorar o centenário do Comandante Fidel Castro.

A gente está divulgando também uma campanha de arrecadação de dinheiro para compra de placas solares para Cuba, da Câmara Comercial Brasil-Cuba e da Rede Latino-Americana e de Integração dos Países Caribenhos.

Essa semana a gente conseguiu garantir, por exemplo, a participação da Erika Hilton na divulgação dessa campanha de pix do Instituto Cultivar. Então, estamos cada vez mais ampliando essas forças nessa campanha e tentando garantir uma mobilização em todos os setores da sociedade brasileira, e uma sensibilização sobre a importância de ajudarmos Cuba nesse momento.

Informações para doação:

PIX – CNPJ: 11.586.301/0001-65

Agência: 1231

Operação: 1292

Conta Corrente: 000577559399-1

Instituto Cultivar

Caixa Econômica Federal

Conversa Bem Viver

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Fonte ==> Brasil de Fato

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