Em meio a uma negociação que envolveu milhões de dólares e trocas de acusações entre a CBF e a Fifa, o café foi à Copa do Mundo mesmo contra a vontade da entidade máxima do futebol.
Em 1980 a Folha publicou uma notícia que abria com a seguinte pergunta: “Como será a camisa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982?”. A indagação surgiu após a CBF fechar um acordo para o IBC (Instituto Brasileiro do Café) patrocinar o uniforme do Brasil.
A ideia era que a camisa exibisse um ramo de café. Em troca, o IBC pagaria à CBF US$ 3 milhões –algo como US$ 12 milhões em valores atuais, ou R$ 60 milhões.
Mas faltou combinar com a Fifa, que proíbe a exibição de marcas nos uniformes das seleções.
O então presidente da Fifa, João Havelange, disse que o Brasil estava proibido de disputar qualquer competição oficial com as camisetas que estampavam o ramo de café.
Teve início então uma guerra de versões. Quase ao mesmo tempo, em diferentes lugares, os chefes da CBF e da Fifa deram declarações contraditórias.
“Ramo de café nas novas camisas da seleção brasileira não caracteriza uma mensagem publicitária. Apenas simboliza o maior produto exportado pelo Brasil”, dizia no Rio o presidente da CBF, Giulite Coutinho, que garantia que os uniformes seriam usados no Mundialito –competição que iniciaria dali a poucos dias.
“Nem a seleção brasileira nem qualquer outra seleção jogará em certames oficiais da Fifa com propaganda. Portanto, a seleção brasileira não jogará o Mundialito com o ramo de café na camisa”, dizia Havelange, em Belo Horizonte.
“Esta não é uma decisão minha, mas que está nos regulamentos da Fifa. Em competições da Fifa, nada disso será permitido. A seleção que treine e faça seus amistosos com estas camisas, mas, em competições oficiais, a camisa está proibida”, disse.
A CBF retrucou dizendo que a Fifa fazia suas concessões, e citou como exemplo a Adidas, ao que Havelange rebateu: “A Adidas é uma firma, como outras que existem, que fabricam materiais esportivos. Ela e outras não vendem café. Isso é um pouco diferente.”
Na ida para o Mundialito, a crise ficou evidente. Sentados a dois metros de distância, na primeira classe do voo Rio-Montevidéu, Havelange e Giulite se ignoraram. Ao fim do voo, a pedido de um fotógrafo, posaram lado a lado, “sem o menor esforço para demonstrar alguma coisa além de uma fria e diplomática cortesia”, como noticiou o Jornal do Brasil na época.
Ao fim, a CBF deu um jeitinho brasileiro: alterou o próprio símbolo para que o ramo de café ficasse dentro do escudo, à frente da taça Jules Rimet. E, assim, em 1982 aquela seleção comandada por Telê Santana –com Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder– entrou em campo carregando o café do Brasil no peito.
A Orfeu lançou o microlote premiado no 5º Concurso da Região Vulcânica. São grãos da variedade geisha cultivados na fazenda Rainha, embaladas em 400 garrafas numeradas à mão (R$ 450, 320g), disponíveis no e-commerce e em lojas selecionadas.
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Fonte ==> Folha SP


